30 de dezembro de 2008

quem estou? onde sou?

Belos clichés: os postzinhos de Natal e Ano Novo!
Tou rendida à normalidade!
Ainda me apalpei para ver se era mesmo eu a postadora de serviço. E não só sou, como gostei do que apalpei!
(pronto, pelo menos continuo totó! Ainda há coisas do antigamente vivas em mim!)

new year's resolutions ou as minhas costas largas

Tem sido sempre assim. É uma constante. Agito as hostes, aposto tudo e perco. Invariavelmente, perco. (Oooooooooooh, coitadinha d’eu…!! Vamos todos desatar a chorar com a minha autocomiseração!!)


Perder não é necessariamente (nem só) mau. Agora sei fazer esquivas espectaculares e até estou imune a algumas canhonadas!


Mas é o perder que me lixa. O acto de perder. O momento de perder. A frustração. A tristeza de ter pensado e querido (de)mais. Pois, o perder.


Deitar as responsabilidades para cima do ano como se falasse duma má colheita, uma má vindima (“o ano de 2008 foi péssimo”) não serve!


As mangas ficam por arregaçar, os músculos de outrora perdem a fibra. A massa (ou pasta) cinzenta perde fulgor e ocupa-se de desocupações. Foge de pensar, evita o raciocínio, encontra o fácil. O enfadonho torna-se dia-a-dia. Tudo é, então, fulgor. (Tudo o que é externo, entenda-se.) Tudo excita, tudo entusiasma, tudo é magnético, tudo atrai.



Para 2009…


…coisas diferentes. Só diferentes. Nem melhores nem piores. Nem fortes nem fracas. Nem felizes nem tristes. Nem tu nem não-tu. As emoções quero-as todas. Sem caixinhas para as arquivar, nem rótulos para fácil identificação.



E como dizia o outro,pedras no caminho? Guardo-as todas. Um dia vou construir um castelo!


(E ao que parece vai ser um T178…!!!!)


(Os braços já estão abertos! Venham de lá esses ossos, caro 2009!)

29 de dezembro de 2008

EU, POR ESTAR TÃO LIXADA COM O ANO DE 2008, DISSE:














"SE TIVESSE DE AGUENTAR ESTE ANO NEM QUE FOSSE SÓ MAIS UM SEGUNDO, REBENTAVA!!!!"




(BA-BOOOOOOOOOM....

AGORA É SÓ MARCIANA ESPALHADA PELAS PAREDES!)



:)

21 de dezembro de 2008

you again

No outro dia julguei estar a precisar de ti. Acabei por perceber que estava a precisar de mim. Quando cheguei a casa trazia intacto o sexy outfit. Tinha vontade de, no elevador, ter o meu vestido amachucado pelas tuas mãos. Estava claro que eu tinha bebido mais do que a conta: o vestido estava incólume e tu não estavas lá.

Desapertei as botas com algumas dificuldades de equilíbrio e fui, de luzes apagadas, até ao quarto. O primeiro ímpeto ligar o aquecimento. Deitei-me na cama, ainda vestida. Estava abrasada. Tirei o telemóvel do bolso do casaco e respondi à última mensagem que enviaras.

No quarto escuro e ainda frio desembaracei-me da roupa devagar, como se fossem outras mãos a fazê-lo. (Adivinha). Saiu o casaco, voaram os acessórios incómodos, desapertei o vestido. Deixei as ligas e a restante lingerie. Sei que me incendeiam. Passei as mãos pelo corpo, como que a reconhecer-me e revi-me no tacto. Mensajava com a mão direita, tacteava com a esquerda.

Conheço exactamente as zonas que me fazem arrepiar, aquelas que me deixam sem forças, as que me fazem gemer ou simplesmente tremer.

O frio e o calor, a rigidez e a languidez conviviam perfeitamente debaixo da lingerie. Movimentos coleantes começaram a desenhar-se e não pretendi refreá-los.

Creio que adormeci por minutos, até receber a tua resposta. Não vinhas. Acordou a mão quente e adormecida. Acordou a mente. Acordaram as saudades. Acordou tudo. Já não te via há cerca de meia hora. Tempo demasiado. Deixei letárgicos os olhos após saber que não virias. Daí até voltar a adormecer foram poucos os minutos e muitos os batimentos cardíacos. Cheirei a mão doce e deixei-me morrer até à manhã seguinte.

MAKE ME GO(O)D

Deixo aqui uma reflexão:

Os padres são casados com Deus.

Ora, se a Igreja católica é contra os casamentos homossexuais… existe aqui alguma incongruência?

E as freiras? Também são casadas com Ele! Se a Igreja Católica se posiciona contra a poligamia… que exemplo é este? Conseguem denotar aqui um padrãozinho?

Pois é, no meio disto tudo o Pai é o único inteligente: tem uma quantidade enorme de mulheres casadas com Ele e, segundo a Sua própria “lei”, nenhum homem o pode fazer!!!

Os que querem ter muitas gajas, em primeiro lugar são pecadores – seres menores e merecedores de todas as vis consequências – e em segundo lugar se as querem, tem de ser como amantes. E todos sabemos que as amantes custam muito dinheiro. Como é que o Pai contornou isto, de maneira a não gastar balúrdios com as esposas freiras? Inventou o voto de pobreza! Mai nada!

Vai daí não há cá luxos pra ninguém: não há nails, extensões, nuances. Há hábito.

Não há Prada, Gucci, D&G. Há hábito.

Não há discotecas, copos, saídas. Há repressão.

Então e como manter as senhoras calmas, sem andarem a trepar paredes por não terem a satisfação sexual de que precisam? Voto de castidade! Está feito! As senhoras não praticam e não ousam pensar em treze orgasmos semanais porque senão não há Céu para ninguém! Tudo controladíssimo!

E claro, o Sr. Senhor até tem um dia dele. “Ah e tal o domingo é o dia do Senhor”. Tá bem, mas e os outros dias não são d’Ele também? Se é Ele o Criador!!!!!

Com tanta repressão Ele devia é dar um dia de borla para as miúdas fazerem loucuras. 7+1. Chamar-se-ia pistacho, esse dia. Sim: segunda, terça, quarta, quinta, sexta, sábado, domingo, pistacho. “O meu dia preferido é o pistacho”, soa bem!

Mas Ele é muito esperto. (Foi Ele que criou os testes de QI, está bom de ver)!! Como é que Ele consegue evitar que as invejosas se preguem à batatada umas às outras? Por um lado porque, devido ao voto de pobreza as esposas não podem pavonear as roupas ou sapatos ou maquilhagem ou essas futilidades que desencadeiam puxões de cabelo e agressões verbais (ou, muito raramente, mas muito mais excitante, lutas na lama). Por outro lado, espeta-lhes com uma madre superiora, que é o que mais se assemelha à figura da sogra para estas pobres raparigas! Ele deve ter levado muito tempo a magicar o Seu plano, mas foi muito bem sucedido! (E eu é que sou maquiavélica, hein?)

Mas perante o estilo de vida destas raparigas voluntariamente pobres, presas, devotas e proibidas de explorarem a sua sexualidade (será que sou só eu que leio aqui "Síndroma de Estocolmo"?), eu primeiro pensaria em fazer uma denúncia por tortura à Amnistia Internacional e depois facilmente consideraria a hipótese de as senhoras, com o tempo, se fartarem d’Ele e das suas manias monogâmicas, procurando consolo noutros braços. Como é que Ele previne que isto Lhe aconteça? Lança o boato de que só Ele é omnipotente. Ora, esta é a suprema injustiça para todos os outros seres. Por muito potentes que sejam, contra um OMNI a luta é assimétrica!

E para além disto, elas que não pensem em queixar-se e dizer que Ele viaja muito, que não lhes dá atenção, nunca está em casa e que é um marido ausente. Ele rebate logo alegando que é… omnipresente!

E para elas nem ousarem pensar em traí-Lo, lançou o boato de que é omnisciente!

I rest my case.

E alguém ainda tem a lata de me perguntar porque é que O admiro????

19 de dezembro de 2008

olhó nougat! hoje são três de borla...

Ena pá!


Não há fome que não dê em fartura! Tenho alguma coisa escrita na testa? [Provavelmente tenho, mas nos meus espelhos não aparece].


Desamparem-me a loja, por favor!


Isto deve ser da época natalícia.


“Toma lá estes presentes”, deve ter dito o menino Jesus – sim, porque para mim não há cá barbudos barrigudos! É o menino que desce da manjedoura onde passa, estirado, 364 dias/ano, mostrando-se ao mundo e subornando os fiéis com modestos presentinhos. E nós, tontos, portamo-nos bem durante todo o ano por causa de bombons, coisas pró enxoval e ricos envelopes?!


E que belos presentes antecipados este ano, oh Jesus!? Deves andar com as prioridades trocadas. Ou tens uma secretária muito pouco eficiente, porque o post-it com esse pedido já criou mofo!!! Se eu fosse esperar, o melhor era fazer-te companhia nas palhinhas!


Agora não estou a precisar de homens. Agora podia ser outra coisa qualquer… mais material. Sei lá o quê. [Mas algo que dê para pôr debaixo da árvore e abrir na noite de consoada em que os adultos vão à missa do cocorócocó e os jovens (onde me incluo) ficam a ver o “Home Alone” pela octogésima quinta vez].


Agora… não me dês tipos a magote! Ao quarto de dúzia é “mai barato”?


Um amigo dum amigo já apelou ao toque. O excesso de toque por desconhecidos inquieta-me. Se houver anuência epidérmica desencadeio eu o processo, não a outra pessoa!! Afinal quem é que manda?


Outro, agora diz que está apaixonado. Ah e tal, os sentimentos. O quê? Mas conheces-me de algum lado? Sentimentos desses? Vá, chega-te para lá! Não sou a mãe dos teus filhos, lamento. Nem sei se vou ser dos meus! E não estou disponível para compromissos. É exactamente deles que pretendo proteger-me. Pretendo ficar imune durante uns tempos, para desintoxicar. Já tomei a vacina e tudo. Como não estava disponível no Plano Nacional de Vacinação saiu-me do bolso [leia-se “lombo” ou “pêlo”]. Ainda estou a pagar por ela… às prestações.*


O outro é um conhecido de há praí cinco anos, de quando eu ainda era pita. Sazonalmente vai apontando na minha direcção a ver se me acerta com uma chumbada. Invariavelmente não. Mas como está aberta a época de caça, aquela estrela de cinema treina a sua pontaria.



“Pró Natal, o meu presente, eu quero que seja…


…a minha agenda, a minha agenda tururururu!”







*As minhas metáforas nem sempre são as melhores, mas fazem-me tanto sentido na cabeça que não as usar retirava metade da riqueza do meu pensamento. “Riqueza” ou “alienação”. Uma das duas.

Beautiful, depraved: Timing is everything

Knowing when to leap. Knowing when to leave.



There's always a moment, in the beginning of getting to know someone, when I'm faced with diving in. I can feel myself perched, hesitating, knowing that I either have to take the risk and jump, or I stay back. It's not a moment that offers itself again, so it's foolish to think my decision in that moment doesn't matter. It matters a lot. In that moment, everything can change.



I seem to stay in relationships longer than when I know it's time to go. Not because I'm in love with the person anymore - I usually know I'm not. I am in love with the idea of joining my life with someone and creating something together. It's sad to think of letting go of all the effort that brought us that far and starting again. So I end up working toward an ideal, an illusion really.



I've seen it a few times now. There's always a huge cost on both ends for not taking advantage of the portal that presents itself and using its momentum to fly off into another world.



It's all about trust. Trusting that I can leap when it feels right and my intuition tells me to. That something, somewhere, will catch me.

15 de dezembro de 2008

como disse?!?

Há coisas que me ultrapassam, que me provocam urticária!!!


Não, hoje não vou desancar ninguém! (Ooooooooh!!!)



Hoje vou falar da língua portuguesa – trato a língua portuguesa por você mas podia facilmente tratá-la por tu, não fosse ela tão mais velha que eu. (É uma questão de respeito e apreço!)


Posto isto, queria partilhar algumas dúvidas que me assolam e que se relacionam com a formação de palavras.


Vamos a exemplos?



Todos sabemos que alguém que engana, que é falso, é um FALSÁRIO. E um CORSÁRIO? É quem desfila no corso? Pois claro que é! Só pode!



FURACÃO: de onde vem a palavra? De “furar o cão”? Será que as primeiras ventanias fizeram voar um guarda-sol que furou um cão e decidiu-se, assim, homenagear o Bobi? E quando o furacão tem nome de mulher, qual é o feminino de furacão? Furacona? Há palavras demasiado intrigantes…



E PRETEXTO? É um texto antes do texto? Nãaaaao, isso é um preâmbulo. Então o que é um pré-texto? (Para quê inventar palavras que não dizem nada, alguém me explica?)



Bem, e entramos assim na área dos cuidados pessoais.


PEDICULOSE – ora, li isto numa revista de putos e pensei em enfermidade das unhas dos pés. Bem sei que a infância é marcada pelos maiores chulés de que existirá registo na vida de alguém, mas coitados dos putos, a sofrerem de pediculose! “ose” é típico de condições nefastas, tipo doença ou isso. E “pedi”, pronto, vem de “pés”…


…pensava eu; pois enganei-me. Muito. A condição de que falo afecta não os pés, mas exactamente a outra extremidade do corpo (pudiculose do couro cabeludo – piolhos), ou então ali a meio caminho (pediculose pubiana). Sim, é uma chatice! :) I shall say no more!


Caneco… CHATICE?? (fez-se luz outra vez e os meus olhos brilharam com mais um trocadilho estonteante inadvertido). :) Então uma chatice é uma reunião de chatos?


Que caca de conversa. Há coisas que uma pessoa preferia não se lembrar de ter lido…



Mas continuando mais ou menos na área, o pediculocida é o que combate/elimina/mata essa bicharada. E o sufixo “cida” indica exactamente extermínio: econtramo-lo em herbicida, germicida, formicida… ya, pacífico. Então e porque é que, a quem mata suínos não chamamos SUICIDA?! (Alguém tem uma dica para esta?)



Ok, morto o porquinho, há que acompanhar os secretos com uma saladinha (viram como passei por cima da palavra “SECRETOS” sem sequer lhe dar a mínima importância, apesar de ser um nome estúpido? Na porta do tasco: “Temos secretos de porco preto”. Olha, bela treta! Como se um porco tivesse segredos, oh caneco! Já para não falar das PLUMAS, que é uma palavra meio abichanada para um porco. Ainda se fosse um pavão…)



Continuando na saladinha, temos que a temperar com azeite e vinagre. Em primeiro lugar, ainda estou para perceber como é que o azeite, que anda prai a cantar desde 1919, ainda é virgem! Mas… e o VINAGRE? Eu sei que deriva de “vinho acre”: ora, por um lado o vinagre é acre e por outro já foi vinho. Se foi, já não é. Se já não é vinho, não era mais imediato chamar-lhe “EX-TINTO”? Só para fazer sentido…!



E por falar em vinho, uma boa pinga é uma roubalheira.


(Uma quê? ROUBALHEIRA…? Olah, isto é material do belo!!!)


Roubalheira = rouba + alheira. Ora, porque é que usamos uma palavra que só faz sentido para lá do Marão, onde mandam os que lá estão?


Como a palavra ABUNDÂNCIA deve derivar de “ânsia de bunda”. Está bom de ver que vem directamente do português do Brasil!



E porque é que MANCHAR e DESMANCHAR não são antónimos?



Faz-me comichão pensar na origem de palavras como, por exemplo, AFRODISÍACO. Só pode ser um tributo à africanidade... aos afro-atributos… Afrodisíaco. Está tudo dito.



E SUDOKU? Eu até era viciada no joguito…


“Sudo” toda a gente sabe que vem do latim “sudore”, ou seja, suor. Epah, e “ku” nem precisa de explicação alguma. E as duas palavras juntas simplesmente não me cheiram bem…



Está visto que volto a jogar palavras cruzadas!!!

(fica assim provado que o meu forte não é o humor... enfim... vou dormir!)

J

12 de dezembro de 2008

sou mesmo estúpida!

Alguma malta do Porto diz que a melhor coisa em Lisboa é a placa que diz "A1 Porto". Pois olhem, antes de se porem a caminho da A1 passem ao pé do aeroporto! Não sei se já repararam, mas o aero…porto de Lisboa, à noite, não tem iluminadas algumas letras do seu nome. Sabem quais? Exactamente “porto”. Ou seja, quem passa por ali à noite lê: AERO DE LISBOA. Mai nada! (também agora não vale a pena ir substituir as lâmpadas, quando estamos a uns meros dezoito anos de nos mudarmos de aeronaves e bagagens para o campo de tiro!)

Clear for take-off e façam boua biagem de regresso, oh tripeiros. J

Isto é claramente uma montagem minha. Não estava com paciência para ir fotografar o aeroporto à noite. Mas que está assim, está!!

9 de dezembro de 2008

...

Um dia gostava de não gostar nadinha de ti. Um dia gostava que esse dia fosse já amanhã. Ou hoje. Mas amanhã era melhor, para hoje ainda poder gostar.

Um dia gostava de saber porque teimo em ser teimosa. Um dia gostava de ser diferente. Um dia. E saber o que seria se não fosse eu, mas outro alguém no meu corpo com o teu. Só para saber se esse alguém faria o que eu faço, como te receberia, se se aninharia como eu, vulnerável a ti.

[Mas isto não é sobre ti - é uma coisa minha].

Um dia gostava que não querer saber tanto, de não pensar tanto, de não empreender tanto. Um dia gostava de não me empenhar, de não me iludir. Mas eu adoro a ilusão… Gosto do sentimento que produz[o].

Gosto de saborear sentimentos. De os alimentar, de lutar contra uns, de permitir que floresçam outros. Gosto de falar com os meus sentimentos, de os escutar e de lhes ralhar se preciso for. Nem estou a falar de correspondência. Gosto de saber amar, ou de aprender a amar. E gosto de brincar comigo e com aquilo que sei sentir. Gosto do frenesim que é gostar. Gosto de poder chamar ao sentimento o nome que me aprouver; quer lhe chame paixão ou desejo ou amor representa algo só meu e tão indescritível que nunca será igual ao amor, desejo ou paixão que sentirás por alguém.

Por isso é que não procuro [e não encontro] definições. Procuro gestos. Dizem-me mais, falam comigo, chamam por mim. Procuro os olhos e o sorriso. Procuro o ténue tremor dos lábios, procuro o olhar desviado à procura duma memória, duma novidade, duma mentira. Procuro as mãos de dedos irrequietos, o olhar esquivo. Procuro a provocação, o limite, o êxtase. Procuro os dedos entrelaçados e a respiração tranquila. Procuro fugir da tempestade da rua e ouvir-te a rir, tímida ou aparatosamente. E procuro o arrebatamento, a perda de energia.

Procuro sofrer desmesuradamente se isso me fizer feliz. :)

7 de dezembro de 2008

Estou a entrar em dieta...
:) Let's do it!

nails

Noutro dia fui “arranjar” as unhas.

E “arranjar” deve realmente ficar entre aspas porque é muito discutível se ficaram melhores do que quando entrei no salão.

Ora bem… Não tenho nada contra os emigrantes (eheheh, frase típica de quem vai desancar alguém!) mas (e tem sempre de haver um “mas”) foi uma senhora de leste que me tratou das mãos. Não me preocupei minimamente – qualquer um sabe limar e pintar unhas, pensei. [Rapazes, pensem numa grosa e num pedaço de madeira. Ok, é a mesma coisa. E a aplicação de verniz também é igual nas unhas como no tampo de uma mesa. Same shit.]

Voltando à gaja de leste, estive mais (pre)ocupada a mirar as suas raízes do cabelo, a observar se o chão estava limpo, a olhar para a velhinha que lá deve ir todas as 3as à mesma hora dormir enquanto lhe armam a juba e ruborizam os cascos. Ou seja, estive atenta a tudo, menos às minhas mãos.

Quando a rapariga me diz que o serviço está pronto, olho para as minhas mãos e… estavam uma caca! O pior é que ela estava felicíssima com o achievement e eu não soube senão fingir que eram do meu agrado.

Devo confessar que pedir uma manicure francesa a uma russa em território português é demasiado pastiche para resultar, mas só quando saí do salão é que percebi, e desatei a rir:

“Pois claro! Provavelmente a mulher é astrofísica, ou neurocirurgiã. Que raio iria saber ela de manicure?”

4 de dezembro de 2008

Os reis moram nas barrigas...

Pensas que tens o Rei na barriga, é? (Bem, pelo menos assim a olho nu eu diria que cabia aí o Belchior!!)

Há pessoas que me tocam no sistema nervoso central desligando aquele interruptor chamado “pachorra”. Perco as estribeiras com a falta de educação dos tiozorros, daqueles que se acham tocados pela graça divina e, portanto, inspirados, iluminados. Acabo por ter pena deles, mas isso é só algum tempo depois. Quando me pisam os calos fico mesmo com a ira a saltar-me pelos olhos, como os raios que vemos nos desenhos animados.

E tudo isto porquê? Porque há quem se ache maior ou melhor que outras pessoas. Ou que ache que a sua opinião é mais válida. E que ainda fica ofendido por haver opiniões diferentes – que desaforo, alguns pobres humanos ousarem raciocinar!!!

Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah!!! (como é que se reproduz por escrito um grito?)

Não tolero. Lamento mas não tolero. A estupidez é ilimitada quando a mente é acanhada, mas ainda há pessoas estúpidas por opção. São ainda mais, e indesculpavelmente, estúpidas! Néscias! Estultas! Ineptas! Asininas!

Blhergh! Só me apetece vomitar-lhes em cima.

Tiram-me tão do sério que me sinto desconcertada por isso. Devia simplesmente ignorá-las, mas é mais forte que eu.

Quem não sabe conviver em sociedade, quem prefere amuar, quem se sente ofendido por existirem opiniões não-coincidentes com a sua… epah… que se foda!

A sério, isso com uma boa descarga sexual é capaz de ir ao sítio. Em vez de despejar nas outras pessoas, fá-lo com um falo! E assim desaparece-me da frente e eu fico momentaneamente feliz. Boa? Vais-te tratar? J

Amigas como dantes…!

(já estou aliviada!)

3 de dezembro de 2008

mamas?!?!

- Acho que trouxe um decote demasiado profundo – disse eu, ao fim de estarmos praticamente quarenta minutos a falar sobre o dia, o trabalho e os problemas inerentes.

Era óbvio que, se eu trazia um decote como aquele, era para ser notado e, já agora (uma vez que não estamos sujeitos a grandes “inibições”) era digno de um comentário tão amplo como a área descoberta do meu colo.

Evidentemente, para ser comentado. E, mais do que isso, durante os primeiros minutos, para assim eu ver reconhecido o esforço de produção visual.

- Sim, também achei quando chegaste. Fica-te muito bem. Não é exagerado, só profundo. Fazes de propósito. Vinhas a andar e as tuas mamas saltitavam.

- “Mamas”?!?

- Sim, mamas. Então? Não posso chamar-lhes assim? Que queres que lhes chame? Se chamar “maminhas” vais dizer que estou a menosprezá-las… e não é o caso. Eu sei que usas wonderbra com esse vestido. Também não vou dizer “chuchas” senão vais perguntar “Pensas que estás a falar com os teus amigos?”. Então não sei como dizer: “seios” é demasiado formal, parece que não sou eu que lhes toco todos os dias. “Mamas” é um termo claro e não ofensivo. Não traz mal-entendidos e não ficas a pensar coisas. Sim, porque tu pensas demais.

- Hum. Está bem. “Mamas”. Pode ser. (Porra!)

24 de novembro de 2008

Excepção vs. regra

"A excepção confirma a regra."
Já ouviram esta expressão algures aí, não? O que raio quer dizer?!?!?


Como é que uma excepção pode confirmar uma regra? Pensem sobre isto!!

Uma regra é o que é: o preceito, a norma, a lei.

Uma excepção não confirma nada. Sai fora do caminho, é excêntrica.

Como é que uma algo excêntrico pode confirmar uma disposição? Epah, não pode.

Não há explicação para o verbo “confirmar” nesta expressão estúpida e odeio-a porque não faz sentido.

A excepção faz com que não haja uniformidade. Ou seja, existe uma norma mas não é invariavelmente aplicada porque existe a excepção.

Logo, a excepção não confirma a regra. Não a corrobora. Pelo contrário. A excepção inutiliza a regra. Mata a regra. Acaba com ela, pois mostra como é falível.

A excepção é um desvio, uma condição, uma ressalva. Existe para ser adita à regra e faz dela insuficiente, incompleta. E uma regra incompleta não me parece uma boa regra, pelo menos em teoria.

Reconheço a necessidade de estabelecer salvaguarda a algumas situações específicas, mas essa salvaguarda não pode nem tem como função confirmar a regra, mas alterá-la, definir as condições em que a regra não é aplicável. A excepção enriquece a regra que é pobre.

A excepção clarifica a regra – mas não a confirma!! Not in (y)our lifetime!

Dá as voltas que quiseres ao texto. A excepção não confirma shit.

20 de novembro de 2008

torga

É instrutivo ver os vários retratos que fazem de nós pela vida fora. Com traços lisonjeiros ou desagradáveis, entram-nos sempre pelos olhos dentro como estranhos, a perturbar uma paz que tinha um rosto habitual, familiar, a que estávamos acostumados. À imagem tranquila, sobrepõem-se outras inquietantes que não servem no cartão de identidade, e, contudo, nos identificam publicamente mais até do que a que nele figura. É que não se trata de neutras fotografias. São perfis apaixonados, justos ou injustos, com as virtudes e os defeitos cruamente patenteados.
Quem um dia nos lembrar, é por eles que nos lembra.

Somos o que nós sabemos, e parecemos o que os outros dizem de nós.

19 de novembro de 2008

Não há nenhum sítio no mundo onde gostasse mais de estar, onde me sentisse tão livre e tão segura, do que em cima dos pés do pai a valsar...

17 de novembro de 2008

conta de somar

Dizem que os opostos se atraem! Isso é treta...

Isso é só nas leis da física. Nas leis do físico e do intelecto as pessoas sentem-se atraídas por quem é suficientemente diferente para ser exótico mas suficientemente alike para ser sintónico.


Sentimo-nos atraídos pela pessoa que mais se parece com o homem ou mulher que seríamos se fôssemos do sexo oposto: sentimos admiração por alguém, pela sua perspicácia, inteligência, pelo look ou sentido de humor, pelo modo como encara a vida e os desafios, pela assertividade ou resiliência, pelos pormenores que o tornam distinto… e desde que tenha em comum um qualquer ponto, que pode passar por uma atracção física ou anímica (ou ambas).


Conseguimos, portanto, definir um conjunto de características que nos agradam: "se eu fosse homem cozinhava bem como o Sr. A; lia 5 livros por mês como o Sr. B; era um bon vivant como o Sr. C;" (e podia continuar a usar o restante alfabeto e enumerar mais vinte e três características).


Sentimo-nos, assim, atraídas pelas virtudes que gostaríamos de ostentar se fôssemos do outro sexo. A questão que se põe é que raramente somos aquilo que gostaríamos. Assim, a proximidade que se obtém entre os dois é a soma entre o que o outro é e o que eu gostava de ser – e isto não chega. Baseia-se num facto somado a uma ficção o que torna frustrante o tentar imaginar ou viver as emoções através do par, porque não podemos ou não temos coragem para as viver nós mesmas. É a vulnerabilidade individual que faz com que estejamos constantemente no limbo entre (e retiremos o melhor d') o nosso mundo e as nossas vontades, entre o eu que procuro e o tu que julgo seres.

12 de novembro de 2008

o pé da atleta


Hoje estava no ginásio a pensar: andamos todas à procura de um corpo perfeito, de formas fantásticas que agradem ao espelho. É claro que isto nunca chega a acontecer: quando chegamos a um patamar já só pensamos no bom que vai ser quando chegarmos ao próximo! Então a labuta continua: “insiste, insiste, só mais oito insistências!”.



Fazemos esforços mais-que-desafiantes, arranjamos um novo caminhar – coxo, é certo, mas cheio de estilo. E podemos sempre dizer, cheias de orgulho, a quem nos perguntar: “é uma lesão muscular!”.




(e agora vou parar de falar no plural!)




Eu farto-me de batalhar naquele asilo a que muitos chamam “ginásio”. E agora, para além de levar, amiúde, uma sova de exercício físico, ainda fico com os pés todos lixados?!?! Eu?, com os pés assim? L Não pode ser! Habituada a ter pezinhos de seda, delicados e sensíveis, vejo-me com… bolhas? E a próxima etapa: calos? NO WAY!




Só me apetecia chorar. Não de dor física, mas daquela lancinante que se finca só de olhar para os meus pés… and then it hit me: eu estava a ter o privilégio de saber em primeira mão (pé) o que é ter uns pés de desportista… ou seja, de atleta!! E fiquei intrigada: porque é que é bom ter corpo de atleta e mau ter pé de atleta?




Não faz sentido!! Sigam o meu raciocínio:




Um atleta tem ombro de atleta, peito de atleta, abdominal de atleta, glúteo, coxa e gémeo de… atleta!!! (pois claro...)




Então e o , o pé é de quê??? É de picheleiro?!?







5 de novembro de 2008

Quem está frita da cabeça põe o dedo no ar!!!

(Quem está frita da cabeça põe o dedo no ar!!!)

De mim para mim:

Não querias evitar compromissos? Pois aí tens, minha menina! Tal e qual como andavas a pedir!

Cuidado com o que desejas, pois pode tornar-se realidade.

(Oh nãaaaaaaaaaaaao!)

É assim mesmo: pus-me a jeito para os não-compromissos, procurei a minha liberdade e, agora que a tenho, apetecia-me um bocadinho de compromisso. Só um bocadinho pequenino. O suficiente… o suficiente para nada!!

(Que raiva! J)

Não estou apaixonada, pah! (Vêem como sou boa a convencer-nos disto?).

(advertência: ler devagar senão não faz sentido!)

Estou só a deixar-me ir.

Nunca tinha ido ao sabor da corrente, nunca tinha deixado de dominar uma situação, mas como és bem espertinho já deves ter percebido isso, logo estás a dar-me exactamente aquilo que eu preciso... e que não sei se quero. E, querendo, só aceito porque és tu a dar-mo – isto porque já percebi que te permito ousadias que não julguei ser possível permitir a alguém. Fui clara? Não?

Bolas, pois não…

Isto confunde-me…

De facto o compromisso não me faz falta!!! Já tu...

Aguças-me o interesse, a vontade de te conhecer mais e mais, de rir contigo, de te arrancar palavras... e sabes disso. De manhã és mais falador; parece que te familiarizas à noite, evoluis de madrugada e de manhã já dizes aquelas coisas a que só tu dedicas tempo a pensar e que me deixam a pensar: "Onde é que estacionaste a nave espacial?". E lá está, eu pelos vistos sou de Marte, por isso sei que daí não vens!! Deves vir dum desses planetas novos cujo nome é ainda "científico", ou seja, ainda não se decidiu que filha nerd de que cientista nerd dará nome ao astro. Assim, baptizar-te-ei (tira o "p" se já estiveres na era pós-acordo ortográfico) 2007PtCb04 - este não é um número mecanográfico, ok? Se insistires posso chamar-te He-man – parece que agora é fashion atribuir nomes de personagens aos planetas.

Retomando a outra linha de raciocínio, entretanto vais e vens e vais, desapareces para a tua vida e voltas à minha de quando em vez.

E, ao que consta, foi exactamente isto que pedi, sim senhor.

Pedi, não a ti. Pedi! Desejei para mim.

Não procuro um nós, quero um tu&eu. E é isso que tenho – mais coisa menos coisa…! Só queria ter o "tu" mais vezes!

(Terror)

4 de novembro de 2008

rimmel

Trago o rimmel esborratado de todas as horas que passáramos a dançar e a rir.
Quando saímos juntas fazemos sempre asneira: abusamos no álcool, deixamos uns tipos aproximarem-se de nós e subornarem-nos com bebidas e usamos os nossos “alias”.

Ainda fazemos isto tal como quando tínhamos 18 anos e começámos a sair sem os tios chatos, sem as horas marcadas. Não achas que já tens idade para ter juízo?

Agora, passados tantos anos, estás noiva?

Eu devia ter desconfiado quando recebi este convite para sair. “Nós as duas, como nos bons velhos tempos!”, dizia a SMS!

Quando anunciaste que querias casar fiquei assustada: um tipo da night, a quem [em tempos] deras o teu nome falso e um número de telefone inventado? O gajo só podia ser estúpido em querer casar com a miss independence!

Foste-o, pelo menos, até ao dia em que te deixaste apanhar pelas malhas da paixão. Não tínhamos combinado que não nos íamos deixar arrebatar no matter what?? Quantas vezes nos prometemos eternamente solteiras até aos 35? Não era necessário despachares o assunto assim…

Ao contrário do que possa parecer estou muito feliz por ti, cabra. Não acredito propriamente na instituição “casamento”, mas acredito no desejo de ambos partilharem o vosso love com as famílias e os amigos.

E lá está, será eterno enquanto durar. É assim que faz sentido e é só assim que concebo as uniões.

Ainda temos, tu e eu, um fim-de-semana de reflexão juntas. Já daqui a uns dias vamos fazer uma escapadela à moda antiga. Foste tu que pediste e marcaste o weekend. Queres despedir-te de mim properly, certo? “De mim” como sinónimo da vida de solteira, da vida de mulher descomprometida e tonta. Despedir-te dos não-compromissos. Bem, talvez eu esteja a levar isto demasiado a sério por causa da minha gamofobia [J medo do casamento].

Estou feliz por ti, por vocês.

Talvez esteja triste por mim, por não viver iludida e feliz, com a ideia de ver a vida sentimental resolvida [e, portanto, fechada e-não-se-pensa-mais-nisso] e assim poder dedicar-me a outra coisa qualquer.

Merda, acho que vou chorar…

Agora o rimmel está a desvanecer-se totalmente e escorrem-me lágrimas pretas. Não me apetece de chorar, nem que seja assim, por bons motivos.

Este rimmel é tão resistente à água como tu às paixões.

(“Water resistant” my ass)!

1 de novembro de 2008

faz frio aqui onde me levanto

Hoje faz frio. O Outono que tanto esperava finalmente apareceu!
Quando acordei ainda havia brasas na lareira. Fiz o que sempre faço. Abri a porta morna da lareira e brinquei com o fogo.
Fico assim, letárgica, durante uma hora ou isso, a absorver o calor que resta naquelas brasas. Adoro acordar, descer (descalça e arrepiada) as escadas, fechar-me na sala e derreter-me em frente à lareira.

É um bom ritual. Acompanha-me um chá. Invariavelmente, um chá. Apoio o PC nos joelhos e encosto-me no sofá a escrever aquilo que se vai passando comigo.
Como sou sempre a primeira a acordar (mesmo quando - ou especialmente quando - tenho visitas) tenho tempo suficiente para escrever, passar revista à madrugada e juntar os meus pozinhos de perlimpimpim mentais. Adornar. Limar.

Aproveito e vejo uns desenhos animados destes actuais que não me dizem nada mas que têm sonoridades estranhas q.b. para manter o cérebro desperto, sem desviar a atenção. É o ruído necessário para evitar o silêncio.
Depois da escrita, o banho. Inevitavelmente, o banho. Escrever depois do banho seria perder a acuidade que finjo.

O banho leva-me (lava-me) as ideias, faz um reset emocional. Se, depois do banho, mantiver os sentimentos no sítio, se continuar com vontade de voltar para a cama, aninhar-me no calor e embrenhar-me nos sonhos de quem lá dorme, quer dizer que estou metida nisto com sentimentos. Bolas, não vinha nada a calhar!

É bom o sábado de manhã aqui. Volto lá acima e corro por todas as divisões inabitadas, carregando nos interruptores dos estores. Com a arte de uma atleta estúpida consigo pô-los todos a subir ao mesmo tempo.

Fico a meio, no topo das escadas, a apreciar o sol a nascer cá em casa. Só agora é oficialmente dia.