13 de fevereiro de 2012

A-Tensão

Pronto para sair de casa.
O beijo de despedida seria, em princípio, um encosto de lábios.
Adivinhar a distância, ainda que por horas, faz com que o apetite ressurja.
Prolongo o beijo, uma mão na nuca agarra-lhe o cabelo. A outra mão vai em busca de botões, fechos e outros entraves. Desaparecem.
Desaparece, igualmente, a minha boca da dele.
Desço ao longo dele e deixo-o atónito. Breve mirada ao relógio de pulso e adivinho-lhe o pensamento: "Que se lixe. Eles que esperem!"
É sem pudor que me exibo nas artes linguais e é sem a mínima consideração que o manejo sabendo que fica muito excitado a ver-me devorá-lo. Sei do que gosta, sei ao que não resiste, sei que adora estes prazeres rápidos e inesperados aparecidos no meio de qualquer dia.
Segura-me agora a mim na nuca, investe contra mim, sente o calor profundo da minha garganta.
Nem pretende resistir.
Vocifera qualquer coisa - coisa nenhuma - que eu já sei o que quer dizer: "eat me".

foi ao lado

Por acaso as minhas rezas iam no sentido da Mariah Carey, mas pronto - a Whitney Houston lá terá de servir...

22 de agosto de 2011

Estás no magote

É inacreditável com há tanto te deixei ir – ou te foste pelo próprio pé – e como nunca chegaste mesmo a partir. Nunca te foste, nem nunca quiseste sair de cena. Habitas em mim, partilhas casa com o meu novo amor. Partilhas casa com quem me faz feliz, com quem me surpreendeu quando achei que nem por sombras iria precisar de ninguém. Ficaste a morar, escondido, num qualquer alçapão da casa. E eu, tonta, ia deixando alimento, sabendo que ainda por lá andavas e que estava a prolongar a tua estadia em mim. Deliberadamente ficavas, deliberadamente te mantinha. Te mantenho.
Enraivece-me que não sejas para mim, que eu não seja para ti. Queria-te. E tanto, tanto. Não consigo esconder, negar nem apagar que te gosto. Não percebo sequer porquê. Sei apenas que me habitas e amiúde me arrepias. Que sorrio ao ler o teu nome no telemóvel quando o toque do código morse me dá o “s”, o “m” e o “s”:
… - - … / … - - …
Que às vezes te sonho e que quase todas as noites te incluo naquilo que não é reza, mas que é o desejo de que se encontre bem o magote de pessoas de quem gosto. Estás no magote.

15 de abril de 2011

é o fungagá

[Há coisas que me irritam e há coisas que só me fazem confusão.
Esta não é nem duma nem doutra estirpe.
Isto entra no reino da estupidez].

Há coisas que me estupidificam!! Uma delas é aquele tipo de gente que se preocupa muito com os animaizinhos [coitadinhos e cenas], que nem comem carne nem peixe para não os fazer sofrer. [E os legumes/frutos, Hein(z)? Ninguém pensa nos legumes-barra-frutos? Que, pois, também sofrem os nabos1 quando são trincados. Que também agonizam as couves2 quando vão para a panela, tal qual uma lagosta sibilante. Mas okay, não é este o meu ponto e já me desviei do rumo].
A preocupação destas pessoas é tão grande que se fartam de criticar as gentes que maltratam os animais. E «maltratar» pode ser tudo, desde abandonar, não dar beijinhos na boca, não gostar de lambidelas. Ou, como eu, não gostar de ir jantar a casa destes amigos e verificar que existe uma cadeira específica à mesa para esse ser feio, pelado, malcheiroso, encontrado não-se-sabe-onde, abandonado por uma senhora má… e que a minha amiga fez o favor de levar para casa, dar banho, amar e respeitar até que a sarna os separasse. [Ah, e aqui ainda estou a falar do namorado dela.]
Este namorado dela – porque um mal nunca vem só – trouxe acoplado a si um cão daqueles pequenos e de ar esperto – o único com este ar lá em casa, portanto – trazido de um canil porque ia ser abatido e essas mariquices. Um acto bastante digno, digo eu, o de levar um animal para casa, libertando-o da morte próxima.
Agora andam os dois na senda dos “coitados dos animais” e “vil o Homem que não contribui” com o dízimo para as causas dos de quatro patas.
Estamos nós então a comer vegetais – what else? – estufados, guisados, entalados, cozidos e assados e eu, para que a comida me soubesse a alguma coisa, fui ao frigorífico procurar maionese. “Não usamos!!”, dizem em uníssono. “E porquê?”, pergunto eu no mesmo tom… E a resposta foi “Porque leva ovos.”
Eu sei que a malta defende os animais porque eles não se podem defender e tal e tal, mas… os ovos não são animais! Isso não conta!
O problema é que da maionese passou-se ao tema das marcas [brands], que fazem testes em animais, que é uma crueldade, ai ‘nha mãe, pardais ao ninho. E então disseram-me que marcas como a Hellmann’s, Lipton, Oral B, o.b., Dove, Knorr, Pringles, Duracell, Olá, Pantene, Comfort faziam testes em animais. Fiquei estupefacta!
A questão knorr pareceu-me óbvia: tal como não se fazem omeletas sem ovos também não se fazem caldos de “_______” sem “__________”, sendo que “_______” será com certeza “carne”, “frango”, “peixe” ou “legumes”. [E sim, eu compadeço-me com a causa dos legumes].
Destas marcas atiradas para o ar há umas, realmente, que fazem confusão. Desde já, as Duracell. Não me lixem, não me lixem: os animais não levam pilhas [tirando um cão duns indianos que vi ao pé das docas, mas esse dava cambalhotas para trás, fruto da sua relação íntima com duas pilhas AA].
 O uso de o.b. também me faz espécie, nem sei por que raio precisam eles de tampões. Das duas uma: ou é para também poderem ir à praia, andar a cavalo e de bicicleta como nós (mulheres) ou é para apanhar grandes bubadeirões com os tampões enfiados no rabo previamente mergulhados em álcool – é a última moda dos catraios europeus!
Mas de resto, parece-me tudo tranquilo.
Que testes é que se fazem com Hellmann’s? Dá-se uma maionesezinha ao rato a ver se gosta?
Ou serve-se um chá Lipton de Marrocos aos cães, a ver se (a)provam? Escovam-lhes os dentes depois das refeições com Oral B?
Lavam as mãos e a cara às pombas com Dove? Servem-lhes Pringles como snack em vez de milho? Só acho mal se a Guaraná também não acompanhar os testes, porque vai muito bem – e leiam com olhos de ler o que vos escrevo – e repito, vão muito bem umas Pringlezinhas daquelas de sabor alhado com um Guaraná fresquinho.
E mais, e mais? Lavam-lhes o pêlo com amaciador Comfort ou com champô Pantene?, dependendo do fototipo do animal? Pah, cá por mim até acho bem…


_______________________

1 Repare-se na subtileza do exemplo, que não recorreu aos “tomates”, reviengando a piada fácil.
2 Outra vez, a esquiva à graçola gratuita, evitando o exemplo “grelos”. 

13 de abril de 2011

às quatro da madrugada

Já num estado avançado de flirt, em que o “fazia-te isto/aquilo/assado/cozido” eram rotinas diárias de atiçamento via sms:
- Achas que é seguro eu ir a essa festa?
- Se tiveres problemas cardíacos é melhor não apareceres porque não trago lingerie.

Tal como previsto, dado o teor da mensagem, ele apareceu. Apareceu para comprovar a inexistência de roupa interior. Apareceu para me levar para a cama. Apareceu porque eu já tinha marcado no meu calendário que aquele era o dia em que ele ia ser devorado.
No meio de muita gente conhecida fizemos o que nos competia e fingimos a mútua indiferença. Trocámos uns olhares, sussurrámos provocações dignas de filme de adultos e tocámo-nos desavergonhadamente em gestos disfarçados de atribulação ou simples falta de jeito.
Os Hendrick’s desapareceram a uma velocidade anormal, que associo a pura ansiedade. Pedi a um amigo que me levasse a casa e despedi-me de toda a gente, inclusive do homem por quem andara a suspirar nos últimos dias – e nesta noite em particular.
Saí e enviei um sms a dar-lhe as indicações para ir ter a minha casa. Presumo que tenha voado até mim porque demorou pouco mais que eu a chegar. Esperei por ele à porta do prédio, do lado de dentro. 
Abri-lhe a porta.
- Sempre deste com isto, hein? – disse, abrindo a porta e afastando-me o suficiente para que não tivéssemos de nos cumprimentar de maneira nenhuma.
- Sim, foi bastante fácil. Desculpa se demorei…


Dirigimo-nos para o elevador. Não tivemos de esperar, visto que ainda lá estava o mesmo em que eu descera. 
Corre a porta – abre-se. 
Entramos. 
Corre a porta – fecha-se. 

[Freeze. Este momento é crucial.
Eu sei porque é que ele está ali, ele sabe porque é que o recebo ali. Estamos ambos fartos de prometer e prever encontros sexuais, de descrevê-los com pormenores vistos, certamente, em filmes. Eu sei que, não tarda, estaremos engalfinhados em coreografias sensuais copiadas, outras só pensadas, outras muito desejadas ou trazidas de boas experiências anteriores. Sei que vou conhecer-lhe a boca, as mãos, a língua, o ventre, o peito, … e, conhecendo-me como conheço, sei que vou proporcionar-lhe um momento-cama digno duma experiência d’A Vida É Bela.]

Inspiro fundo e encosto-o ao espelho do elevador.

pet me

Hoje a minha cama está vazia.
Ontem, livre.
Anteontem, inabitada.

Hoje o meu telemóvel andou silencioso.
Ontem, mudo.
Anteontem, calado.
  
Estou desejosa do seu toque. Que regresse do paraíso e me preencha. Fisicamente. Que me preencha.
Me esgote.
Quero a ânsia do toque, a respiração contra a minha.
Falar com as bocas tangentes, adormecer em colher, acordar com o calor excessivo que os dois corpos produzem, incapazes de se largar.

[Acho que é mais ou menos por esta altura que as pessoas arranjam animais de estimação…] 

19 de fevereiro de 2011

kiss my ass


Depois de uma noite bruta[l] de sexo, estamos os dois na casa de banho a preparar para ir dormir. Ele acaba de lavar os dentes e sai. Eu procuro, na minha bolsa, a escova de dentes... e nada:
- Olha, posso usar a tua escova de dentes, porque hoje me esqueci de trazer?
- Isso não é um bocado nojento...?
- Grande lata! Nojento, achas? [Tico e Teco a funcionar: wooooow... tu, ainda há dez minutos me lambeste o ass e agora dizes que o eu lavar os dentes com a tua escova é que é nojento?]
Lavo os dentes. Entro no quarto...
- Então, sempre usaste a minha escova?
- Não, não. Lavei com o dedo e bochechei com Listerine. Tinhas razão, é um bocado nojento... [Eheheh. Blherk!]

31 de janeiro de 2011

V-I-A-G-R-A

E se, para além de ENLARGE YOUR PENIS, o Sildenafil também ENLARGEASSE YOUR BRAIN?!? 
Isso é que era jeitoso... 

23 de janeiro de 2011

Virgen del Rocío



Uma tipa santa com um nome destes capta-me logo a atenção.
É que uma pessoa, mesmo não querendo, cria empatia logo de chofre...










(Onde é que clico para "become a fan"?)


16 de janeiro de 2011

come /kʌm/


Pôr no play antes de começar a ler...


Ouvir esta música e violar-te.
Rasgar-te a roupa.
Romper-ta.
Ou só arrancar-ta.
Tirar-ta.
Gentilmente.
Passar-te a mão devagar.

Sentir-te a pele doce e dócil, sentir o meu tesouro, o cheiro guardado em ti, na tua roupa, junto ao teu pescoço.

Desapertar-te, um por um, os botões de camisa que te escondem. Manter-te deitado. Fechar os olhos – primeiro os teus, os meus logo depois. Tactear-te com todo o cuidado, como se quebrasses com inspirações fortes. Trazer à luz do escuro o teu tronco, o teu peito. Tocar-te com os dedos médios nos mamilos. São suaves e acastanhados. Sinto-lhes a pele fina, delicada como papel de arroz. Passar a língua por eles, acastanhados e suaves. Os teus mamilos que são meus. E de comer. Como tu, como a tua língua.
Como os beijos carnudos, de lábios cheios e inchados que me recheiam a boca e me trazem esgares violentos. Ou talvez não violentos, apenas instintivos, animalescos, selvagens. Ou dóceis, expressões de amor. De desejo e amor, de paixão. Foda-se, tanta paixão. E saliva.
A saliva. A tua saliva, doce e líquida, é a minha água, mata a minha sede – aumenta a minha fome.
É com o teu peito à mostra que por ti deslizo. Caminho por entre os pequenos sinais que te mapeiam a tela lívida, a minha almofada preferida - o teu peito. Estou perdida em ti, sinto-me perdida e divinamente insana por te consumir sem freios, e deixo a felicidade escorrer-me pela boca sob a forma de sorriso. Sou feliz, tão feliz em ti. Deixo os dedos entretidos nos alguns (poucos) pêlos que te descem pelo umbigo. Gosto-te e aproveito-te. Desejo-te cada pedaço, usufruo-te todo. Agarro-te a barriga, a tua-minha barriga, apanho-ta pelos flancos e aperto-ta sem magoar, apenas reconhecendo-ta. À tua-minha barriga. Maior que noutras alturas, a tua-minha barriga. Continuas delicioso como quando eras o apetitoso franzino que se deslizava para dentro dos meus lençóis, desavergonhadamente, para noites de aconchego, para serões de mimo, pra experimentar o amor de que virias a gostar.


As calças. As calças que te assentam. Que bem te ficam, sempre sempre. Desaperto-tas com calma, com o jeito que te aprendi. O decoro, talvez. A minha calma aumenta-te o desespero. Sei que te faço sofrer e engolir uma golfada de ar, que não é mais que desejo preso. Preso atrás dos botões, atrás da roupa interior sem costuras. E é atrás do fecho das calças que moras já tu, rijo e doce. Contrais-te e sinto-te crescer. Sinto o rush dentro de ti, a correria de efeitos biológicos que não conheço nem me interessam. Quero-te - tenho-te. Dou, por fora da roupa, uma dentada demorada ao longo de ti, preso. Aqui sim, enclausurado. Entre os meus dentes. Entre os meus dedos, preso. Preso e grosso e meu. Meu. Sinto no lábio o doce e húmido toque a ti, o doce doce que gosto de passar nos lábios, como gloss. E é glossy que me pões a boca, quando te tiro, te saco, te liberto. Continuas sem abrir os olhos, e nem deles precisas. Já conheces o caminho para a minha boca, já sabes que fico com os lábios entreabertos enquanto te deslizas ao longo deles, deixando-mos brilhantes e doces. Doces, sempre doces. Lambo-me com a ponta da língua. Saboreio-te e reconheço-te. Todo, todo. Reconheço-te. Desejo-te e lambo-me e lambo-te.
O teu doce abre-me a boca e o apetite. Rapidamente te afundo na boca, te toco e palpo com movimentos aleatórios em intensidade e pressão - como gostas. Alterno a minha mão com a tua, em ti.
Toca-te. 
Excita-me ver-te tocares-te. A mão que te é familiar, o meu corpo que em breve se encaixará, tudo faz sentido e faz parte. É o nós.

E a música, ainda a música...

[DILEMMA], escrito a 1 de Junho de 2010.

Há teorias que os estudiosos e investigadores desenvolvem, baseadas na realidade, que poderiam aplicar-se aos relacionamentos.
Essa é a especialidade desta casa. Em Marte vão buscar-se técnicas, teorias e correntes de pensamento com aplicação prática nas ciências exactas e aplicam-se ao mundo que conheço: o das relações.
Assim, e tendo em conta o funcionamento dos mercados, desde cedo aprendi que um monopólio é, pelas suas características, mau. Assim o será também a monogamia, presumo, pelo abuso de poder que lhe está inerente. As condições ideais, já dizia o Adam Smith, implicavam uma mão invisível que regulava o mercado criando oportunidades equitativas e satisfatórias para todas as partes. Esta é uma visão bastante comunista da economia e assim o é aplicada a uma relação.
Neste caso, a mão invisível seria não a capacidade auto-reguladora do mercado, mas uma mão que alguém nos dá, mesmo – ou especialmente – quando não a vemos. E não precisamos necessariamente de a ver: basta senti-la. É neste espírito que funciona a “mão” do Adam Smith, em que as tuas mãos incarnam nas minhas e estas, fazendo as vezes das tuas, me exploram equilibradamente, invisivelmente, nos momentos em que não estás mas o desejo de ti sim. É este o regulador do mercado. É a não-necessidade de ter comigo na cama outros consumidores a quem eu escoaria facilmente o excessive stock que tenho de tesão.
Chegamos então a um estado contraditório: esse regime não dá poder de actuação de um sobre o outro? É isto um monopólio – esse bicho-papão desvirtuador da economia – que manieta a actuação do outro?
A resposta é: depende.
Se olharmos para o célebre dilema do prisioneiro, uma teoria de jogo clássica, podemos compreender que o resultado, num jogo como num relacionamento, depende não só da minha actuação como da actuação do outro ou, aliás, da soma das duas, senão vejamos:
O “dilema do prisioneiro” é, basicamente, uma história de dois indivíduos que foram presos. Desconhece-se se um ou outro são culpados, ou se os dois, ou se nenhum – e realmente, não interessa. Dizem-lhes as autoridades – a cada um, independentemente – que (i) se ambos negarem a autoria do crime (e uma vez que não há mais provas), saem os dois ao fim de 6 meses de cadeia; (ii) se um confessar (e acusar o outro) ganha imunidade, sai em liberdade ficando o outro encarcerado por 10 anos; se (iii) cada um culpar o outro recebem ambos 5 anos de cadeia.
 A questão central aqui é que os dois prisioneiros não estão juntos nem poderão conversar entre si. Neste caso o resultado não depende só da acção de cada um, mas da soma com a decisão do outro.
A relação a dois funciona do mesmo modo: ou se confia que o outro não vai denunciar o contrato tácito ou mais vale acusá-lo logo e acabar com a cumplicidade, contando, à partida com a minimização do dano pessoal. Neste caso não se está a contar com parcerias futuras. Já no caso de haver “repetições” do jogo, como haverá seguramente no caso de uma “parceria amorosa”, o receio de punição ou castigo inviabiliza ou minimiza as hipóteses de um payoff desfavorável para uma ou outra parte, favorecendo a cooperação. Trocando por miúdos, as pessoas são mais amáveis e afáveis se condicionadas por um “medo” de repressão, ainda que meramente imaginativo.
A teoria dos jogos oscila entre uma interacção cooperativa e competitiva. E é assim nos mercados económicos como nos laços pessoais: mesmo tendo consciência que num cenário de cooperação os resultados seriam largamente melhores (em que os dois prisioneiros negavam a acusação e saiam os dois com 6 meses de pena), o player é impelido para o individualismo, procurando o próprio bem sem olhar ao bem do outro (sair em liberdade e o outro cumprir 10 anos de cadeia), por via das dúvidas e da falta de crença nas atitudes e na boa-fé do outro.
Se bem que nenhum prisioneiro tenha actividade focada no prejuízo do outro – note-se que até serem presos eram cúmplices – a incerteza da actuação do outro fá-lo-á proteger-se, pelo que os concorrerão CONSCIENTEMENTE entre si ao invés de cada um praticar o cenário que mais vantagens lhes traria: a cooperação.
Mas dizem os estudiosos das probabilidades nas teorias dos jogos que as melhores estratégias e, portanto, a aproximação à “decisão óptima” têm em comum uma série de acções, e que passam pela amabilidade, a retaliação, o perdão e a anti-inveja.
Se tivermos em atenção estes como estandartes da nossa actuação, a probabilidade de sermos bem-sucedidos em qualquer estratégia é maior, logo o payoff é o melhor para os dois. A amabilidade pressupõe que não se abandone o “campo de jogo” sem que o outro player o faça primeiro. Por uma questão de perseverança estratégica o player só desistirá se o outro (até então cooperante, a partir de então opositor) o fizer primeiro. Ou seja, se há dúvidas em que o relacionamento é ou não viável, é porque existe a hipótese de viabilidade e, logo, de sucesso – não está em causa a duração, apenas se é bom ou mau para ambos. Se existe a dúvida na viabilidade é porque há espaço para o sucesso, sendo que doutro modo não haveria hesitação, mas antes a certeza de que não funcionaria. E assim, faz sentido o investimento. Isto não implica uma confiança cega, pois terão de ser consideradas as estratégias de oportunismo vindas do outro lado. Se reiterado o oportunismo, a retaliação surge como uma estratégia clara e indiscutível. E do mesmo modo que se parte para a retaliação, o player saberá, por razões estratégicas de bem-estar, perdoar e voltar a cooperar assim que haja a mesma atitude por parte do outro player que, abandonando o papel de opositor, retoma o de cooperante. Por fim a anti-inveja é a qualidade do jogador que lhe permite jogar sem estar a comparar o seu jogo ou os seus proventos com o do outro player. Joga de acordo com a sua consciência e não com os movimentos de jogo do outro player. Não deverá procurar uma dominância, porquanto deixaria de ser um jogo cooperante.
The bottom line is: o jogador interesseiro começará a ver mais vantagem na cooperação e passará a praticar as quatro acções acima descritas como estratégia; o player naturalmente amável terá mais probabilidade de ser bem sucedido pois começa mais cedo com a decisão óptima e, dizem-no os estudiosos destas questões, são os que têm um payoff mais favorável, mais cedo, em todos os aspectos pois não apresentam “medo” de perder, nem revelam culpa nas actividades empreendidas; trabalham para o bem e, caso o mal venha, não é derivado das suas acções.
É uma merda ser dos bonzinhos, ser destes que dão a face (e mais bochechas, se as houvesse) para ser esbofeteadas. Diz-me a experiência que sou mais feliz assim sem medo da frustração e do fracasso, mais próxima da utopia. Até ver concordo com ela. E “dou-me-te” sem medo.

5 de janeiro de 2011

shortcut

- Queres sair?
- Sim, tudo bem mas são 23h. O que vamos fazer?
- Tomar o pequeno-almoço.

12 de dezembro de 2010

10 de dezembro de 2010

that makes three of us

Quando parei para pensar nele e em como me sentia esventrada pela sua partida – ou o fim do meu prazo de validade – andava com muita pena de mim. Ainda ando, na verdade. Ainda não passou um dia em que não me lembrasse dele, em que não ficasse com uma interrogação presa no fundo da garganta, a mesma interrogação que é embaciadora dos olhos.

Ainda não sei porque é que preciso tanto dele, e do que é que preciso, do que raio sinto falta, se nunca o tive. Dos beijos, fugia. Das mãos, apartava-se. A necessidade enferma do platonismo forçado e a estranha realização pessoal num mundo sozinho foram paredes inamovíveis e eu, que estava por perto, sentia-me a mais. Para me proteger optei por me manter sentada à porta daquele castelo fortificado esperando que ele espreitasse, que saísse (a medo), que expulsasse os demónios tontos que permitia que lá vivessem.
“Dar” era verbo desconhecido – não tinha tido tempo para perceber, na sua vida, que muito do bom que é gostar vem do bem que sabe dar. Dar, dar, dar, sem medidas nem medos. Dar só porque sim. Porque o mimo é uma ponte, e a nossa ponte só tinha um sentido: de mim para ele. Inbound havia um trânsito complicado, uma atrofia de espírito, o pedido constante para que eu tivesse paciência e esperasse por melhores dias. Esperaria, claro que esperaria. Infelizmente esperaria sem levantar questões. Nunca lhas levantei – jamais o confrontaria, jamais viraria para ele um espelho e lhe apontaria as falhas. Pelo contrário, por saber que também ele as conhecia, ignorei-as. Mostrei-lhe apenas que era possível ir além da redoma, além da zona de segurança, de conforto, sem daí vir prejuízo. Expus-me e esperei que se expusesse, que viesse cá fora ver como era.

Começo a pensar que aquilo de que sinto falta agora é do cuidar, zelar, reparar, de lhe tratar as feridas da alma enquanto o lambia - tantas vezes e tão bem. De ser boa, de ser útil. E sou imodesta ao ponto de afiançar que alguns sentimentos lhe eram completamente estranhos, novos, desconhecidos.
Que fez ele com isso? Não sei. Levou-os para parte incerta, sem uma explicação, uma satisfação. Levou os meus [OS MEUS, BOLAS] afectos. Para um terceiro lugar. Vou ganhando o sentimento – talvez seja a minha maneira de lidar com isto – de ter sido usada. Sinto-me quase esvaziada das coisas boas que vinha cultivando, e que dava. Dava sem notar que nada exigia em troca. E faz falta – faz muita falta – receber.
Porque um dia adormeci e comecei a sonhar com amor. Um dia acordei e tinha o peito aberto, cirurgicamente aberto, e o coração à vista, batendo ansioso pelo dele. Um dia, com insónia, vi-me ser cosida a frio e deixei de poder ver o meu coração. Às vezes, por fracções de segundos, acho que deixo de senti-lo.

Tenho saudade de quanto era (ignorantemente) feliz. Porque estar conscientemente infeliz ainda magoa. Ainda, ainda.

27 de novembro de 2010

é o decote, estúpido!




Y Porque sou uma mulher de causas

Y Porque jamais deixaria passar a oportunidade de me exibir

Y Porque acho piada ao movimento delas*













* oh gente sugestionável, referia-me ao movimento delas, não «delas»...

26 de novembro de 2010

{I'm out}

É tão fácil, tão fácil pôr uma pedra em cima de um assunto – de uma pessoa.


Fui chutada para canto.
Fui, e no canto permaneci, atónita. Ainda não sei de onde veio o que veio, ainda não compreendi porquê. Ao início parece que é impossível, que apenas não está a acontecer. Que é um sonho mau – e é, afinal, uma realidade má.
Mas ontem percebi como é fácil conseguir que as coisas não resultem. Basta não fazer nada. Uma saída, pessoas na noite. Sem tramas, sem teias, sem espinhas, seduzir é muito fácil. Começam os sorrisos, os risos, as perguntas inocentes. Inocentes como os toques, primeiro subtis.
Seguem-se as piadas, os encostos, a dança, os copos que se esvaziam sozinhos. Ainda as conversas que não são mais do que auscultações, itens das checklists que inadvertidamente tentamos verificar. Ou à força, não sei…

Toda a noite foi um teste, um ver até onde é que consigo ir, até onde me deixo ir. Ver se é isto o que preciso, se é disto, de atenção física que estou manca. E nem precisei de me esforçar grande coisa, bastou ir lançando charme sobre os três com quem estava. Só para alimentar o meu ego recentemente murcho. E ser alimentada por três é algo tentador. Se entretanto me apetecesse, era limitar-me a ir medindo afinidades e tentar perceber para que ombro pendia a minha cabeça, sem constrangimentos.
Com qual deles teria eu margem para brincar à minha vontade? Com o #1, o comprometido, que já encontrou a mulher da sua vida? Com o #2, que tem “um caso” recente? Com o #3, o playboy de corpo rijo, sorriso branco e alinhado, de 26 aninhos?

O comprometido, óbvio – o playboy tem muito jogo e eu não gosto de perder.
Dás-me boleia?”, pergunta o tonto do comprometido. “Tenho as mãos frias”, diz-me, pegando nas minhas. E daí ao “vamos lá a casa beber um licor fabuloso?” vai a distância de uma mão dada. 
Da tensão no elevador até ficarmos de narizes siameses na cozinha de casa dele vai a distância de uns olhares que se encontram e se amigam. 
Desvio a cara sempre que os seus lábios se aproximam perigosamente da área exclusiva dos meus, enquanto decidimos o que, afinal, beber. Estamos, de facto, a empatar, a engonhar
E é nestes segundos, nestes momentos e jogos de mãos que mora o click, o ponto de não-retorno. Se é para nos devorarmos, é aproveitar esta altura, em que a respiração denuncia um coração a bombear em todas as direcções. Todas. 
Se não é para o banquete, é aproveitar enquanto ainda não se tem contacto com essas direcções todas e evitar, assim, qualquer referência mental ou sugestão.


Ainda na cozinha, a olharmos para a garrafeira, faz questão de me abraçar por trás para que eu sinta, nas nádegas, as suas intenções – e são evidentes. Começa a desapertar-me o nó do cinto do casaco, doido por me lançar as mãos à cintura ou aos quadris, por debaixo do vestido.
Fecho o casaco.
- Vou andando. Adeus.
- Tens a certeza?
- Não. Adeus.

E é no carro, no caminho gelado das cinco da manhã, que percebo que é muito fácil, demasiado fácil, deixar tudo e deitar tudo a perder. Que «complicado» é gostar de verdade, ser de verdade, ter de verdade – e árduo é ser-se amigo, quando se é namorado.
Isto?, isto era só demasiado acessível, dado – descartável. Acordar com aquele tipo ao lado parecia inteligível, imediato: um tipo giro, interessante, divertido, boa conversa, melhor corpo. Seria uma experiência – algo para guardar, memorizar, até partilhar aqui, who knows? E vindo com namorada – great – porque isso garantia que não me chateava com telefonemas ou sms ou cafés.

Era tudo demasiado fácil.
E meaningless.
{I’m out}

21 de agosto de 2010

KA-ra-POW de corrida

O Vou buscá-la ao trabalho para irmos jantar, fim da tarde + pôr-do-sol, em Sintra?

O Obrigada, mas não. Tenho planos.

O Então e se for amanhã? O seu namorado não se importará, pois não? É só um jantar de amigos.

O Também não. Tenho planos. E ele não se importa.

O E depois de amanhã? De certeza que não tem planos para daqui a três dias, certo?

O Desculpe, mas também tenho planos.

O Afinal que tanto planeia, pode saber-se?

O Planeio não sair consigo.

14 de agosto de 2010





Apenas contigo sinto as borboletas nascer e voar em mim, fazemos amor devagar e a terra gira no nosso compasso.

21 de julho de 2010

ihihih, como eu gosto da bajulação... :)

Hoje, durante trezentos e dez minutos, estive apontada (ex aequo) como candidata ao Melhor Blog de Sempre!

Entretanto, a Ana, pensou melhor no assunto e, como as regras impunham a indicação de apenas um blog, retirou a minha "candidatura", mas foi por uma unha negra! ;)

De qualquer modo, obrigada Ana! Obrigada Almighty Yellowphant.

***

(sim, sou uma granda vaidosa!!!) :p

14 de julho de 2010

é isto que eu acho:

Quando MAMADA deixar de significar "tu a seres alimentada" e passa a significar "tu a alimentares", estás fodida (e não é da maneira boa)...

6 de junho de 2010

"desculpa, mas não vai dar"

Encontrámo-nos na discoteca onde nos conhecemos. Persegui-o com o olhar durante alguns minutos para o analisar e ver quão desconfortável ficara por me ver outra vez – a primeira desde que mandara um sms a dizer “Desculpa mas não vai dar”. Foram 3 meses de actividade sexual intensa, de concretização de uma série de fantasias e, no fim, um sms. Nem um “não és tu, sou eu”, nem um “um dia vais encontrar um tipo fantástico que te vai fazer feliz”. Eu não o queria para nada, mas uma conversa de café, entre pessoas adultas, resolve estas coisas. Desde o dia da mensagem ando com um saquinho no carro com coisas que ele fora deixando por minha casa. Como sabia que inevitavelmente havíamos de nos cruzar, prescindi de ver os seus pertences espalhados por minha casa. Tem sorte que eu não os tenha incinerado…
Hoje, por azar, tinha vontade de me divertir. Vamos ver se ele não me estraga a noite.
Vem ter comigo e com as minhas duas amigas, que já conhece, e cumprimenta-nos. Empresto-lhe o meu melhor sorriso mas depressa o guardo para não o gastar inutilmente. Faz conversa de ocasião, leva respostas de ocasião, tudo misturado com alguma raiva. Ainda não recompus o ego – não que me tenha despedaçado particularmente, mas levar com os pés não é das minhas actividades predilectas.
Quando volta para o seu grupinho vejo que está com uma companhia especial. Ela olhou-o de maneira especial, agarrou-o de maneira especial, amuou de maneira especial. Gostei. Vejo que ela está a ir-se embora e não resisto a sorrir – é mais forte que eu.
É incrível que ele tenha escolhido este exacto momento, em que sorrio, para olhar na minha direcção. A sua companhia vira costas e vai andando. Ele, como menino bem comportado, faz de macaco de imitação. Faço-lhe uma continência trocista, viro costas à sua palhaçada passional e continuo a dançar com as minhas amigas.
Estranhamente, passados uns minutos, ele regressa de copo na mão, sem namoradinha e de sorriso na boca. Não lhe ligo muito mas observo-o de vez em quando. Quando vou à casa de banho vai atrás de mim e ficamos a meio do caminho, perto do lounge. Aproveito os sofás para me sentar porque estou mesmo aflitinha. Que quererá de mim?
- Vim só falar contigo, saber mais de ti. Como estás? Fui tão estúpido contigo… Desculpa.
- Não te preocupes, as coisas entre nós não estavam a funcionar. Foi melhor assim. Ah, por falar nisso, tenho no carro um saco teu com uns boxers, uma escova de dentes e aqueles teus preservativos horríveis de mentol – quando te fores embora avisa-me que eu saio contigo para tos dar, ok?
- Então vamos já, porque eu estou mesmo de saída. Vou ter a casa da minha namorada, ela é que já foi andando porque estava maldisposta.
- Maldisposta… ok. Vou só ao wc, depois vou avisar as minhas amigas que vou ao carro, mas tu vai pagando e saindo. O meu carro está no estacionamento. Olha, e lava as mãos e a boca, que as trazes nojentas.
Assim fizemos. Eu fui ao wc, ele foi também e depois foi pagar. Avisei o porteiro que já vinha – e como ele já me conhece não levantou questões. Fomos a andar para o carro:
- Então e tu, andas com alguém?, pergunta-me ele.
- Ando. Ando com quatro gajos mas não são importantes. É só para foder.
- Ahaha, és mesmo engraçada.
- Costumo ser, quando digo piadas.
Chegamos ao meu carro. Destranco-o e vou para a porta do passageiro porque é lá, de lado, que está o bendito saco. Ele segue-me e, quando abro a porta, senta-se no lugar do passageiro como tantas vezes fez, quando íamos passear. Fico de pé a falar com ele mas logo me arrepio com o vento que faz e vou sentar-me no lado do condutor.
Ficamos a falar. De nada, basicamente. Falou-me do trabalho, disse-me que chegara hoje de férias, que a namorada estava amuada porque em vez de ter ido ter com ela quando chegou, foi jantar com os amigos, vindo depois para aqui.
Tanto me dá. Não ouço metade do que me diz. Sentada, o decote do meu vestido dá de si, mas não reparo logo nisso. E quando reparo não faço nada. Olho para as calças dele e vejo que estão com o volume que me é familiar. Neste momento tenho duas hipóteses: ou lhe digo para se ir embora porque as minhas amigas podem ficar preocupadas, ou lhe lanço a mão ao inchaço na braguilha.
Opto pela segunda. Ponho-lhe um dedo sobre os lábios para que se cale com aquelas conversas sem sentido. Quando se cala levo a mão às suas calças e sinto-o rijo debaixo da sarja, dentro da minha mão. Imediatamente fecha os olhos e quer agarrar-me. Não permito. Empurro-o e encosto-o bem ao banco dele. Levo a mão ao manípulo do banco do passageiro e empurro-o o máximo para trás. Ambos sabemos o que vem aí, porque este cenário é-nos muito familiar.
Puxo o vestido para cima, ainda sentada no meu banco, para que ele veja que estou sem roupa interior – aproveitei a ida ao wc para a tirar. De qualquer modo, só se este cenário se proporcionasse é que ele ficaria a saber. Levo a mão aos seus cabelos e puxo-lhe a cabeça para baixo, até mim e penso “estes são os únicos lábios que (me) vais beijar, por isso aproveita”. Abro as pernas no mesmo gesto, enquanto ele se ajeita no banco para me chegar sem contorcionismos. Tranco o carro. Lambe-me como sabe que gosto, como lhe ensinei: como se eu fosse um cornetto a derreter. A língua fica mole e toda de fora; a ponta da língua não serve para aqui – a parte central da língua é que trabalha, como fazem os gatos para se banharem. Agarro-lhe na mão direita e dirijo um dedo para dentro de mim - aliás, 2/3 de dedo - já o sabe - e não mais. Virado para cima, em forma de gancho. Em forma de G.
- Assim… assim está bom. Não pares – digo
Agarro-lhe outra vez a cabeça e puxo-a ainda mais contra mim. Sei que fica com pouco ar para respirar, mas também eu não me queixava quando ele me entupia a garganta, naquelas sessões imitadoras de filmes. Com um pé, entretanto descalço, começo a massajá-lo por fora das calças – e assim averiguo a sua “disposição”.
Está boa. Está boa, a disposição. Está como o seu ego.
- Faz assim, faz – digo – continua. Não pares. Assim… assim… vá… – digo-lhe enquanto “rebolo” na sua boca – anda, faz-me vir. Vá, dá-me. Come-me bem, come.
É inevitável: venho-me na sua boca. Não faço muitos barulhos, os meus orgasmos solitários são silenciosos – e este é como se tivesse sido um desses, em que só estou eu. Foi bom, mas sem importância.
Fico encostada ao banco ainda a gemer por dentro e a escorrer saliva. Normalmente seria nesta altura que eu subiria para o seu banco, desapertar-lhe-ia as calças e sentar-me-ia nele, cavalgando-o sem misericórdia até ele me avisar para eu sair e ir comê-lo – ou bebê-lo, tanto faz.
Mas não hoje. Abro o porta-luvas, tiro um pacote de lenços de papel. Tiro um para mim, que ponho entre as pernas ensopadas, e aperto. Puxo o vestido para baixo. Dou-lhe outro lenço para que limpe a baba e os meus vestígios naqueles lábios, nariz e queixo. Fica atónito a olhar para mim. Pego no saco que ficou no chão do carro, do lado dele, já bastante amachucado pelos ténis número 46 do menino. Ponho-lhe o saco no colo e digo-lhe para sair. Olho mais uma vez para o chumaço provavelmente bem húmido que traz dentro das calças e sinto vontade de o devorar, mas isso não me vai fazer sentir melhor. Destranco o carro e repito, com a voz mais segura:
- É melhor ires andando. – E, dizendo isto, abro a porta do meu lado, calço-me e saio. Tiro discretamente o lenço de papel, enrolo-o e guardo-o na mala. Ajeito o vestido e o cabelo.
Ele não argumenta. Pega no saco, abre a porta do carro, sai. Quando ouço a sua porta bater tranco o carro e dirijo-me para a zona da entrada da discoteca.
Não sei que mais se passou atrás de mim. Não sei como ficou, se foi logo embora ou não. Sei que caminhei devagar mas com segurança de volta à discoteca, ainda com pequenos espasmos por ter tido um belo orgasmo há menos de um minuto. Entrei, fui dizer às minhas amigas que me ia embora, fui pagar e voltei a sair. Dirigi-me ao carro e rumei a casa.
Fiquei a pensar que cara teria feito ao ler o papel que lhe deixei no saco, com as suas coisas, a dizer “desculpa mas não vai dar”.

30 de maio de 2010

selvagem

(Cenário: Eu e uma amiga, em minha casa, a preparar o jantar.
Je, armada em esperta, a tentar fazer uma das minhas célebres piadas)


Digo, a pensar no adjectivo "selvagem", da rucola: Sabes?, acho que sou como a rúcola desta embalagem...

Amiga [2 segundos de reflexão]: Lavada e pronta a comer?!


:)

8 de março de 2010

E hoje é o dia de quem?, de quem? Das muchachas, muito bem. Cutchi cutchi...

(pré-scriptum: O texto começou por se chamar "A origem do mal", mas reparei que era o Dia da Mulher e pronto, nada houve a fazer...)


Ora, é sobejamente conhecida a minha costeleta maniqueísta*. Assim, vejo a “luz” no homem; inevitavelmente encontro a “treva” na mulher. O meu machismo parolo já me trouxe alguns dissabores, claro, mas com os meus recalcamentos posso eu bem. Acho.
O que estou a tentar teorizar aqui é o princípio do fim: quando é que começámos a afundar-nos? Nós, como espécie, como sociedade(s)? 
A resposta é clara: quando as mulheres ousaram emancipar-se.

Primeiro, direito de voto! 
Hein?! Para quê, suas estúpidas?! Nós lá queremos ter responsabilidade pelo estado do país… Ca burras, valha-nos Rá!!! Ainda se fosse para eleger várias Pintasilgo, compreendia-se. Agora… Sócrates e Portas e Rebelos de Sousa e Jerónimos? Somos umas tristes...

Entretanto, trabalhar fora de casa. Ganhar o próprio sustento. What?? Quem é que teve tão miserável ideia? Para que servem os homens então, há resposta? Não é só para fazer filhos, não senhoras! É para sustentarem as esposas, os filhos, as Bimby, as idas à terra, os passeios, os cabeleireiros, os vestidos, as collants, as lingeries e os vernizes (que, em vez de Riské, devem ser Chanel).

Outra coisa que me apoquenta: termos carta de condução. Podermos deslocar-nos livremente por todo o lado, a toda a hora. Isso implica poder ir ao supermercado, tontas!!! Deixem o Modelo e o Continente para os gajos. Façam a lista e nada mais. Deixem que seja o macho-alfa a ir tratar das coisas chatas. Afinal os bíceps desenvolvem-se neles com mais facilidade que em nós por alguma razão… (Não é só para levantar copos com a esquerda e masturbar com a direita! Tem de haver uma razão mais… palpável, digo eu).

É que os problemas subsequentes podem ser do mais variado tipo, como por exemplo o desemprego! 
Está bem que quando os homens foram pra(s) guerra(s) alguém tinha de tocar o país pra frente, mas depois disso devíamos ter voltado para casa e pronto. 
Ou seja, se as mulheres ficassem todas em casa a desovar fedelhos e zelar pelo seu bem-estar, suturar meias e branquear fraldas sobrava emprego para todos os homens e até para as gajas de barba rija – já lá iremos! Mas nãaaao… “Nós queremos ganhar o nosso dinheiro e tal.”… e no que é que dá? Andamos com problemas de empregabilidade, temos as gajas a laborar de sol a sol e ainda a  quererem frequentar universidades ou até pensar que podem ter carreiras de topo. Acham isto normal? Andar fora de casa o dia todo, sabe-se lá a fazer o quê...?

Também nesta altura, em que os homens partiram para a guerra, começaram as gajas a ser muito amiguinhas umas das outras, desleixando-se com as depilações e com a manicure, com a maquilhagem e com as ‘grifes’. E porquê...?
Porque se para um homem a mulher é um bicho misterioso e é possível ludibriá-los uma vida inteira, sem que se apercebam que temos pêlos exactamente onde eles têm e que (sem maquilhagem) temos borbulhas na cara tal e qual como eles, se o parceiro for uma parceira não há essa necessidade porque passamos todas pelas mesmas situações e não há como enganá-la. É um amor mais afectuoso, mais autêntico.
Fica provado que a fonte do lesbianismo (e não estou a falar dos fetiches das gémeas-colegiais, mas antes das camisas xadrez de flanela), – dizia eu – a fonte do lesbianismo está nesta ausência prolongada dos maridões que deixaram de prestar assistência rotineira e passaram à assistência em escala. 

Com efeito, coincidiu com a época da saída dos chefes de família a proliferação dos vibradores nos lares, ao ponto de serem, no século passado, mais abundantes que os próprios ferros de engomar. (E bem, digo eu, porque o ferro de engomar é um bocado volumoso para a maior parte de nós). Com efeito, hoje em dia tenho dois ferros de passar e apenas um vibrador. Parece-me um rácio muito infeliz. Com efeito, dou mais uso a um que aos outros.  





*Fónix, vão procurar, que eu não sou vossa professora.

6 de março de 2010

The Prince of Bel-Ass

Não sei se sabem que a Luciana Abriu está grávida. (o sobrenome não é gralha).
Ora, e por falar em sobrenome, não sei se sabem que a boa da Lucy é uma menina que tem pedigree. Segundo dizem ela vem da linhagem do D. João I. Ora... e a miúda agora está grávida do Djaló.
Assim, vamos ter um reizinho luso-guineense. Fixe, não é??? :)

Eu acho absolutamente cool.
Assim, e uma vez que na conjuntura mundial estamos todos de tanga... e a tendência - apesar do frio - é ficarmos em pelota, ao menos quando se gritar "O REI VAI NÚ", em vez de vermos a pilinha do D. Duarte ou do outro (o fadista emproado), poderemos ter o prazer de (ar)regalar a vista com um apetrechamento negão.
Vai é demorar uns anos. Uns 16, prai, que os niggas amadurecem mais depressa que os branquinhos. (Ouvi dizer!)

raw's beef (Isto é um trocadilho. Mas só o título. O resto não)

Usar por usar, uso-te eu a ti, you piece of meat!

3 de março de 2010

a la folie

Parece estranho que uma pessoa tenha consciência de quando a sua ingenuidade (já fraquejante) leva a golpada final. A estocada seria apenas mais uma, não tivesse eu consentido. Esta era uma morte anunciada, afinal a inocência era quase trintona – sinónimo de “anciã” na idade-de-sentimentos-infantis.
Naquele dia, naquela tarde, eu vinha inundada de ti. Daquilo a que passam a valer os parcos momentos juntos, em que te (ab)sorvo a um metro de distância. E que atordoam, de tão intensos.
“Mais um momento, só mais um momento”, é o que peço – ou rezo – intimamente. Que não te vás, que não tenhas de ir-te, que não exerças a faculdade de te alheares de mim e, se possível, que te desmaiem as pernas – como a mim quando me passas o braço pela cintura.
Não ouves a prece que matuto entre os ouvidos.
Abraças-me no adeus, encostas a cara à minha e soltas-me dando por findo o tempo que me coubera, selando num roçar de bochecha o convívio diário.

Caio transida, tolhida, paralisada. Caio e chio na queda. Chio no Chiado e só eu ouço.

Olhaste-me e percebeste alguma coisa. Sem saber exactamente o quê, decifraste-me tristeza no olhar, creio. Fiquei triste por mim, por ter sido outra vez – pela última vez – miúda, catraia, por ainda pensar que os príncipes existiam e que – lucky me – um estava mesmo à minha frente. O que viste fui eu a despedir-me de mim, não de ti. Quando me indemnizaste a boca com um beijo beijei-te de volta sem noção, quase sem intenção.
Só me apetecia ajoelhar-me e tentar ressuscitar a pequena-eu que, ignorantemente feliz, fenecia. Olhei para o chão, saiu-me um sorriso nervoso e um “vai andando” que era, de facto, um “vai-te embora e deixa-me viver o momento em que permito que se extinga a minha candura”.
Viraste-te e seguiste o teu caminho. Pus em marcha o autómato que foi o meu corpo naquele instante. Olhei para o Fernando Pessoa que levou a mão ao chapéu num cumprimento de outros tempos, e disse “não te preocupes que eu olho por ela”.
E não me preocupei. Deixei a minha preciosa criancice a três metros do escritor e subi a rua ainda a tremer – em parte devido à vodka, em parte devido a sentir-me mais vazia, mais oca, a precisar de sustento no esqueleto.
Subi a rua a passo de gastrópode, deixando rasto. Dava passos pequenos e lentos mas firmes, subindo subindo subindo. Quando cheguei onde tinha de chegar, cheguei triste. Genuinamente triste.
Mas era exactamente ali, nesta salada de tempo, espaço e espírito que eu tinha de estar. Percebi que não poderia dar-te a minha ingenuidade porque simplesmente tu já não sabias reconhecê-la. Deixaste a tua morrer algures e com ela perdeste o receptor, o decifrador comum. É normal que já não tenhas essa capacidade, exigi demasiado de ti.
Não sei se gosto que me sejas mais indiferente agora. Não sei se quero a terapia breve que não pedi ao Chiado. Nem sei se viverei melhor agora sem a minha inocência – só sei que vou sentir a sua falta.


(Se bem a conheço está a entediar o pobre Sr. Pessoa e a contar-lhe, entusiasmada e arrebatada, tudo sobre ti.
Uma, outra e outra vez.)