20 de janeiro de 2010

o dinossauro alado


Fui ver o filme do momento.
Primeiro, há que falar do Cameron: ok, o tipo é uma grande carola, colabora com a NASA e tudo, mas em termos de argumento não se esforça! Dizem que começou a pensar no filme em 1995: pah, oh Cameron, não é desculpa. Começasses antes! Não te esforçaste com o Titanic, já que foste usar uma história real, para não teres de inventar grande coisa, e agora fazes o mesmo com o AVATAR - pegas num monte de clichés das novelas da TVI, adicionas água e já está! (Por acaso confesso não ter visto o cliché "irmãs-gémeas-lésbicas-e-cegas-separadas-à-nascença-reencontram-se-mais-tarde-num-puticlub-em-Huelva", mas isso é estratégia de marketing, para o filme poder ser visto a partir dos 6 anos. Toda a gente sabe que a cegueira é um tema que choca as criancinhas e nunca passaria no controlo do parental advisory...)
Ora, o Avatar não é mais do que uma história de colonização como tantas outras. Tem  a tribo, o chefe, a vidente (para todos vocês que usam o Facebook, é a bidente, mas em azul cobalto). E depois tem a história de amor (quase) impossível, que vai concretizar-se numa rica e saudável comunhão - de facto os protagonistas comem-se debaixo duma árvore. E eu pensava que eles iam amar-se juntando as pontas mini-USB das tranças, mas nãaaaao... foi como no discovery channel.
Bem, retomando os clichés, vemos a chegada do colonizador a tentar eliminar os autóctones por causa das riquezas naturais (been there, done that – yaaaawn) e até vemos a Mãe-Natureza a dar um empurrãozinho para que as coisas corram bem - parece que as mães têm tendência para andar sempre de olho em nós, não vá o santanás tecê-las…
Mas voltando à vaca fria, o que me aborrece são as mensagens subliminares, de que é exemplo o típico golpe do baú! Então vem um gajo (o “Rodinhas” para os amigos) e quer dar o golpe logo à filha do chefão? É que o tipo não faz por menos: podia escolher uma que cantava bem: não quis. Havia outra que era também muito dotada noutra coisa qualquer: também não estava interessado… (Bruxo!!) Foi logo embicar com a filha do boss.
Ainda por cima, surge aqui o maior de todos os clichés: não importa o teu carácter; não importa se só estás a fazer as coisas por dinheiro, não importa se enganas um povo todo, se enganas uma pobre rapariga só por causa dumas pernas (as tuas recauchutadas e as dela, que eram bem boas), não importa se mentes, enganas, premeditas, manipulas
Desde que tenhas um bicho que vá dos 0 aos 100 em menos de 5 segundos, já és o "máiór".

(Cambada de vendidos…)

J




[Disclaimer:
Por acaso aqui a autora gostou muito do filme, achou o argumento interessantíssimo, achou-o graficamente irrepreensível e extasiou com o 3D, com os efeitos e luminescências de todo o filme que faziam lembrar a fibra óptica quando cortada na diagonal, com luz colorida a ser projectada desde a outra ponta. Só achei que fazia falta um momento em que se chorasse. É que vi o "Marley & Eu" há muito pouco tempo e esse filme estabeleceu um novo benchmark de lamechice, lágrima espremida e até soluços,… e agora parece que sinto falta…] 




17 comentários:

siceramente disse...

e eu ainda não fui ver.. e pelos vistos ainda não perdi grande coisa!

Suspiro disse...

Eu gostei bastante do filme, só não achei que o 3D fosse imprescindível nete filme! ;)

Cirrus disse...

Eu não vi. Não sei se verei. Sou pouco de modas. Mas se vir mando um bitaite para Marte.
O que é compreensível é que alguém que vem de um planeta vermelho com pele verde não morra de amores por animais azuis.

;)

Vani disse...

Eu quero ver, e depois formular a minha opinião. Mas já li de tudo. Inclusive de que o filme está a provocar depressões, pois parece que anda a fazer curto circuito nos cérebros provavelmente já deprimidos pela inexistencia de um planeta azul como aquele (tb, para q o queriam? para o lixar todo, como a este?).

ADOREI o marley e eu, borrei-me toda de tanto chorar :((((((((((. è que, fez-me lembrar os meus canitos :(

filipa disse...

ahahhaha as pontas mini-usb está lindo, lindo!

Maldonado disse...

É um filme que não me puxa precisamente por causa dos clichés...
Dou-te razão: o Cameron devia ter-se esforçado mais a escrever o argumento...
Se ele tivesse falado contigo, a história seria outra... ;)

Noya disse...

O "Danças com Lobos" futurista não é mau e até tem umas coisas engraçadas, mas o 3D, por exemplo, para além de lhe faltar uma certa profundidade (ou elevação?) retira muita cor ao filme...

Vale também muito pelos óculos que vão servir na perfeição para o Carnaval...

MF disse...

Ele só quis variar um bocadinho e continuar a ser muito... Humano, nas inventadas e criativas ideias que lhe passam pela moleirinha... ^_^

Ainda não vi o filme mas não percebo porque é que toda a gente (ou quase toda) há-de pensar que numa dimensão alternativa ou num planeta extraterrestre, os seres humanóides têm de ser tão parecidos com os humanos terrestres?

Tá mais que visto, e isto não será novidade, que a ideia não era apresentar algo original mas algo que vendesse, bem... :P

de Marte disse...

Sinceramente,
tens de ir ver. É mandatório!! É um filme com muitíssima qualidade, inigualável em termos de imagem e o argumento é uma história de amor, tema inesgotável.
Esta quantidade de palavras sem sentido que eu despejo são só a minha maneira twisted de fazer humor. Eu gostei do filme e dos efeitos. Tinha pormenores engraçados que me fizeram lembrar pedaços de sonhos, de tão surreais.
Vale a pena o dinheiro do bilhete e dos óculos 3D.

de Marte disse...

Suspiro,
não sei se seria imprescindível para o filme o uso do 3D, mas que fiquei muito bem impressionada fiquei. E entre 3D ou não-3D... escolheria novamente o 3D! :)

de Marte disse...

Cirrus,
vai ver agora, enquanto está nos cinemas. Porque depois, em casa, deixa de haver o efeito 3D.
Deixa-te de modas ou de não-modas. Se pensares bem, se calhar está na moda não ser da moda... o que quer dizer que estás na moda! :)
Vá... vai ver o filme e depois conta-me de tua justiça.
Fico à espera...

:)
***

de Marte disse...

Vani,
mais uma vez: VAI VER! :)
(será q o Cameron me vai dar uma participação nos lucros pelo trabalho de RP q estou a desenvolver?!)

O filme vale a pena. Isso das depressões parece-me história da carochinha. TODOS os filmes têm uma componente inatingível, irreal, seja qual for o tema. O tudo resultar bem no fim, o amor impossível que se torna possível, o mundo prestes a acabar e no último segundo alguém corta o fio vermelho da bomba, mas estava indeciso com entre esse e o azul, mas guess what? acerta sempre!! A própria história da carochinha é da carochinha! (Nunca acreditei que uma carocha e um rato pudessem resultar. Nem que uma carocha tivesse em casa um caldeirão tão grande tão grande que um ratão pudesse lá cair dentro!!)
Do spaghetti western à Música no Coração, passando pelo Super-Homem tudo nos mostra um mundo (ou vários) que não têm correspondência com o nosso.
Parece-me que esses estudos oportunistas não são mais do que caracteres para encher colunas de jornal e revista...

Ai mulher... mas no Marley... desfiz-me em lágrimas. Toda eu era choro... Vá-se la perceber isto, que nunca tive pets. :)

de Marte disse...

Filipa,
foi do q me lembrei, ao ver o filme. Se aquilo era uma que se ligava, e até dava para armazenar informação e o caneco era só ligar as pontas e pronto! :)

de Marte disse...

Maldonado,
fugir dos clichés é tãaaaao cliché! :D

Ehehe, hoje deu-me para isto, o fight fire with fire...

Vai ver o movie. Vale a pena. Nem que seja para consubstanciar uma posição, atirar calhaus com uma fisga à testa do Cameron... vai!

Sim, eu a escrever um argumento havia de sair coisa boa... Pra já andavam todos nus, n havia cá colares manhosos a tapar mamilos nem paninhos a cobrir sexos. Andei três horas inteirinhas a tentar espreitar para dentro da sunga do artista e népia! (É que em 3D aquilo era capaz de ser sublime, entendes?)
E pronto, assim de repente não me lembro mais nada. Se calhar arranjava uns maus com ar divertido como os do Sozinho em Casa (eles próprios cópia do Bucha & Estica), arranjava uma rapariga feia que afinal de contas era bonita. :)

Qualquer coisa do género. Ah, e andavam todos nus, n te esqueças...

de Marte disse...

Noya,
ainda não me tinha lembrado da reutilização dos óculos para o Carnaval. É bem pensado.

És ecologista, hein?!

***

de Marte disse...

MF,
o filme está muito bem conseguido. Se é feito para dar lucro está a cumprir os objectivos. Se foi feito para ser um marco na história do cinema, está a cumprir também.
Vai vê-lo e depois conta-me como foi.
:)

***

Vani disse...

Chorei com o livro, chorei com o filme. Do Marley. :) No fundo, é a nossa empatia a funcionar. :)

O facto de não teres pets não significa que não saibas o que é amar assim um companheiro e amigo incondicional, certo? :)