Retomo as emissões com um tema que me é muito caro: a comida.
Eu sou viciada em comida. É verdade... não passo um dia sem comer. [Bem, não é rigorosamente assim. Sou capaz de passar 48h de jejum, talvez 72h se for na Quaresma,... mas não mais.]
Adiante.
No outro dia [que foi no ano de 2008] estava a ter uma conversa interessante num restaurante vegetariano [o Paladar Zen – maravilhoso, diga-se em abono da verdade] sobre quão saudável é a comida vegetariana, etc etc.
Pois espantada fiquei quando reparei que neste sítio, como noutros, os nomes das comidas-de-passarinho eram quase na sua totalidade adaptações de nomes de pratos das pessoas normais*.
Dei por mim a comer uma bolonhesa… sem carne. Ora, raciocinem comigo: ser vegetariano e dar nome anti-vegetariano aos pratos é um bocadinho como ser devota de Deus e viver obcecada com o Demo, só falar do Demo, temer o Demo,… [ok, acabo de matar a charada da igreja católica!. Too bad, bros.!]
Mas os vegetarianos fazem-no, ai pois fazem: chamam “bife” ao aglomerado de soja; chamam “bolonhesa” a um molho que não leva carne alguma; chamam hambúrguer a farelos comprimidos. Chamam feijoada vegetariana a algo que não tem o mínimo vestígio de animais para dar o sabor a… feijoada, valha-nos Deus [disse “Deus” mas podia ser outro amigo imaginário qualquer, era só uma força de expressão].
É só abrir um cardápio desses, feitos em folha de maconha – sim, porque ah e tal, a malta aproveita tudo o que a natureza dá [certo, e os escaravelhos “reutilizam” bolinhas de cocó e nem por isso os admiro…] e ver que estão cheio de coisas que soam ora a carne, ora a peixe mas que nunca são nenhuma delas!
Exemplos?? Ainda bem que perguntam…
Croquetes: Croquetes são micro rolinhos de carne, fritos e saborosos. Não inventem “croquetes de…”!! Croquetes são pra ser de carninha, chicha!! Ponto.
Cenas à Brás: O senhor Brás, se ainda fosse vivo morria de choque. Então não é que o seu bacalhau [salvo seja] anda nas bocas do mundo [salvo seja outra vez, coitado] e ainda por cima deturpado? Substituir o bacalhau por seitãs e coiso e cenas parece pecado. [Fica claro que não é por acaso que a única diferença entre “seitã” e “seita” é um til…]
Empadão: Alguém acha graça chamar empadão a alguma coisa, que não uma camada de carne ou peixe no meio de duas camadas de arroz ou puré?!
Até salsichas vegetarianas há… Salsichas?! Que alguns carinhosamente apelidam de SAL-CHICHA, em homenagem aos ingredientes principais, "sal" e "chicha", pois claro... E os alemães não fazem nada quanto a isto? Não criam uns chuveiros fixes, nem cortam o cabelo grátis a esta gente [pente um, para não se pegarem à estalada, as invejosas.]? Andam a dormir, andam? Depois queixem-se!
Empada: mas afinal a empada é de quê? Bolas! A empada é de quê??? De couve lombarda, não? Eu acredito que até seja bom, mas EMPADA é de galinha!! Não estraguem o imaginário das pessoas! Inventem nomes para vocês, legumineiros! Chamem-lhe “couve lombarda no meio de massa tenra”. Ninguém sai enganado!
Hamburguer: de lentilhas? De cenoura? Não deturpem o conceito do senhor Macdonald, por favor, que levou anos a construir um império!!
Outra que me chocou: “Almôndegas de aveia e cenoura”. Eu não percebo grande coisa de cavalos, mas isto parece-me o almoço deles. Aveia e cenoura? Estamos a tentar ser cavalgaduras, adoptanto a alimentação dos bichos? Ai Darwin, onde andas tu quando és necessário?
Caviar de beringelas. Raciocínio: caviar são ovas. Beringela é legume. Como é que fazemos? Vestimos uma lingerie sexy à beringela-ela, deixamos que a beringela-ele se entusiasme e deixamo-los conviver como coelhos?? E depois abrimos-lhe o bucho e sacamos-lhes as ovas? A sério, senhoras e senhores vegetarianos, ensinem-me, porque para mim este vosso mundo é um arcano do catano.
Patê: o senso comum diz que patê é de sardinha, de atum ou de entranhas figadeiras de patos bêbedos. Como é que vocês fazem, vegans?? Embebedam o milho?? Obrigam o tofu a “ser cá da malta” e beber aqueles shots até ao fim?
E no dia de acção de graças recheiam o quê?? Uma chalota??
Mas a melhor para mim é esta: LEITE DE SOJA!! Mas que invenção é esta, querem ver que a soja tem tetas e ninguém me avisou?? E vai lá um tipo de boina e palito no canto da boca, todas as manhãs e diz: “Atão, a Mimosa hoje dormiu bêm? Vire lá essas tetas aqui pró Tio Zé da Horta. [Queria prestar homenagem ao Sr. Zé da Horta, que é o tal que foi aos agriões, perdeu os calções e ainda se lixou com uma galinha que farta das mariquices dos vegeterianismos, sacou duma faquinha e cortou-lhe cenas essenciais para se cantar grosso!]. Retomando: é óbvio que o leite precisa de mamas [entretanto lembrei-me de várias situações pouco católicas alusivas ao tema, mas terei de me inibir]. Sem mamas não há leite. Se a soja desse leite, tinha de ter mamas, não era?!
Depois admiram-se que as crianças não saibam nada! Ora, se andam a lanchar fatias de PÃO SEM CÔDEA, recheadas com fiambre duma PERNA EXTRA [e ainda dizem que não há modificações genéticas], e a beber LEITE PROVENIENTE DE ARBUSTOS, cum caraças, eu também preferia ver gajas nuas no Magalhães!!
E dizem os vegans: “Ah e tal, porque nós somos contra a crueldade e não comemos animais mortos”. Então comam-nos vivos, bolas, como fazem os chineses, que metem à boquinha tudo o que apanham à mão. [E como a mão até está perto do chão porque eles são pequeninos, tudo o que rasteja marcha! É certo que são amarelinhos e um bocado pró enfezados, mas são altamente inteligentes e foram a primeira civilização a adoptar o sistema PalPlus: os olhos em bico!]. E vocês, os que não comem carne o que é que inventaram, hein? Como trocar os nomes das comidas, só para enganar o cérebro, induzir a boca a salivar e… vai-se a ver era só um aglomerado de rabanetes e folhas?
Eu também não ando para aí a chamar “ratatouie de quadrúpedes” à minha refeição!! Nem polenta de vaca, ou vatapá de peru, nem esparregado de pota… ou baba ganoush de aves. Alguma vez viram?? Não! E porquê, perguntam vocês? Porque não sou macaca de imitação!
Se alguma vez me tornar vegetariana não vai ser por adorar animais, vai ser por odiar os vegetais.
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*Vá, sem ofensa. Era só para fazer a distinção…