16 de setembro de 2009

Insane

Não sou muito amiga de hospitais.
Hoje vi-me obrigada a ir a um e apercebi-me que ando a perder o que de melhor se faz em matéria de comédia em Portugal.
Estava um rapaz na sala de espera, junto ao guichet e chega uma rapariga, nos trâmites finais duma ida ao Hospital. Reconhecem-se, cumprimentam-se. Eu juro que o último nome dela não é Patrocínio, mas deve andar lá perto!
- Então? Estás bom?
(Ora, se o rapaz estivesse bom provavelmente não estava num hospital, de pulseira amarela no pulso, tinha-se levantado para te cumprimentar e não estava agarrado à barriga como se estivesse grávido…)
- Não, nem por isso. Tenho uma dor estranha no estômago e vomitei o pequeno-almoço.
- Ahahah. Sabes que isso costuma dar três dias antes de se morrer?
(Fosga-se, oh amiga, se já estás despachada podes ir andando? É que não estás a ajudar a animar o espírito de sala de espera de Hospital…)
- Olha, e a tua tia?
(Ah, finalmente uma pergunta que não tem a ver com doenças…)
-…Está melhor?
(Pooooooorra!!! Não podias estar calada?)
- Pois… Ela já estava muito mal, sabes? Faleceu há duas semanas.
- Desculpa. Não sabia.
- Não faz mal. Sabes, é a vida.
(Aaaaaaaaaaah! Já percebi!! Estão os dois metidos nisto. Onde é que estão a câmara de filmar e o Nuno Graciano?! “É a vida”?! A vida?!?! Não, amigos. É exactamente o oposto…)
- Olha, mas desculpa. Não fazia ideia. Os meus pêsames. Sabes, é que o mundo é mesmo injusto.
(Boa! “Pêsames”?? Estamos a começar a fazer sentido! Já gosto mais de ti; mas se o mundo fosse bom e justo tu tinhas um cadeado na boca. E eu a chave. E engolia-a. [E daí se calhar não o fazia porque depois podia a chave complicar-me as entranhas e eu ter de vir ao Hospital para a remover. E aí corria um risco desnecessário de encontrar alguém como tu.])
- Ya, eu sei. Ficámos todos chocados. Ela era tão activa, tão cheia de vida.
(Bolas, para mim chega!!! Levantei-me da sala e saí…

Fui para a sala de espera mesmo em frente ao gabinete de triagem. É chamado o senhor X pelo intercomunicador. O senhor dirige-se à porta e o enfermeiro vem abrir-lha):
- É o senhor X? Vá, sente-se ali na cadeirinha. Entre, entre.
- Não posso.
- Não pode entrar?
- Entrar posso. Sentar-me é que não.

(E pronto, recusei-me a ouvir a explicação. Decerto daria um melhor post, mas soube que chegara ao meu limite.)

15 de setembro de 2009

Patrick "Dirty Dancer" Swayze (1952-2009)


O meu filme preferido de todo o sempre é "Dirty Dancing".
Sempre me fascinou e, de tanto o ver, a minha VHS pifou. (Os menores de 20 anos recorram à fidedigna Wiki para saber o que é uma VHS).
Um dos cd mais ouvidos cá em casa foi a banda sonora deste filme, que me fez dançar e dançar horas a fio.
Confesso não ter percebido a história à primeira... e ver uma miúda a chorar (a outra, a grávida) num filme de dança parecia-me pretty stupid. Com o tempo lá fui encaixando a temática do drama imbricado neste romance de Verão, com as melhores músicas que eu poderia ter desejado numa banda sonora, em piolha.
E o Swayze fazia-me suspirar e acreditar que qualquer menina poderia ir de férias com os pais e encontrar um príncipe dançante que gostaria de nós tal e qual como somos. E que nós, meninas sem sal - sim, eu não fui sempre este jalapeño - deixaríamos de ser tímidas, retraídas e sonhadoras nos braços de um bailarino, a fazer uma das danças mais sensuais do cine-mundo.
A música deste filme ainda hoje me põe o pezinho a bater no chão ou os dedos a estalar. As letras de algumas músicas ainda me põem a voz embargada ao ousar cantá-las.
Ficam os sons que me teletransportam:



14 de setembro de 2009

tem espinhas...

Odeio homens preguiçosos.


- É amanhã que começo o projecto!!


*

Dá-me repulsa aquele tipo de gajo que é pura e simplesmente rufia…

- Se o tipo olha para ti outra vez dou-lhe cabo do canastro!

*

Fico doida com os homens que teimam em não compreender qual é o papel deles em casa.

- Querida, deixa que eu lavo. Logo depois de cozinhar, varrer, aspirar e limpar os vidros!

*

Assustam-me os rapazes com ar de maus…

(Não te aproximes que mordo!)

*

Não suporto um homem com ar de saloio!

- E aí, garota? Ocê vai vortá pras Europas? Manda cumprimento, vici?

*

O quê? Usar mais cores e acessórios que eu? Epah, isso é de mais!

- Querida, viste o meu scarf tigresse? Este terracota não vai nada bem com o meu slip malva…

*

Aaaaaaai que raiva, os tipos que parecem uma coisa e são outra!

- A Kika? A Kika é só uma colega. (cof cof) Acho que já te falei dela…


*

Collants…? I don’t think sooooo…



- Ai que comichão, mulher!

*

Não gosto nada de ver aqueles colares enooooooooormes no pescoço dos meninos.

(Ai, Lelo!)


*

Odeio os sempre-engravatadinhos…
- Ouça, bombom, não me amachuque o blazer com esses abraços todos. É Zegna, sabia? Vá, então deixe-me tirar as calças e dobrar bem os vincos…


*

E claro, homens giros e românticos são abomináveis!!!

(SUSPIRO)
E mesmo chamando-se Reinaldo – com “y”, claro – este está na lista dos
“Dá-me tautau e chama-me Vááááááánessa"

4 de setembro de 2009

béééé... muuuuu... oink oink...

Nota prévia: este post foi escrito antes de conhecido o conteúdo do post do Afectado. O tema é o mesmo, a abordagem é que é diferente. :) Afectado, o que me ri com o teu texto...


Ouvi dizer por aí que as mulheres são umas porcas.
Estas palavras só podem vir de umas mãos muito limitadas.

Como se pode comprovar pela imagem em anexo, as mulheres não são porcas nem em sentido estrito nem figurado. De facto são bastante limpinhas e, como pode comprovar-se, muito amigas. Uma até ajuda a outra a lavar-se para ela não ter trabalho. Palpita-me que, tivéssemos nós acesso às imagens subsequentes, poderíamos ver as moças a lavar-se e esfregar-se muito bem em tudo quanto é recanto, com muita espuminha, com as mãos e eventualmente com as línguas, ajudando-se para mais tarde receberem cada uma seu marido de braços abertos. E quem diz braços, diz corações…




Voltado à batata quente, dizer que as mulheres são porcas é completamente redutor e só mostra que o artista / escritor tem uma vivência bastante limitada e não conheceu mulheres suficientes. Claro que quem inventou e dirigiu este tipo de doesto às mulheres só pode ter sido um homem. E escolheu os animais a dedo, porque se formos a ver o correspondente em macho destes animais, quase nunca são pejorativos. (Fazemos aqui uma pausa para que possam voltar a passar os olhos pelas duas anfitriãs de hoje...)u não sou particularmente feminista, ao contrário do que possa pensar-se. As a matter of fact tenho uma mente bastante aberta… o que às vezes se revela um bocado nasty, quando os miolos começam a escorregar pelo crânio*.

Mas serão as mulheres porcas, muito porcas e totalmente porcas, so help them God? Não, claro que não!!!!
As mulheres também são cabras: são, sim senhor. Há quem diga que é uma moda ser-se cabra e andar a gabar-se disso. Cá para mim que entendo pouco de caprídeos, só é cabra o suficiente quem está encoberta pelo manto ou do anonimato ou do despeito. Mas também pode ser lã, atenção. Ah, lã não!!! Lã têm as ovelhas. As cabras têm pêlo. Na venta. E o homem? É bode. Ser bode não é nada mais do que balir, ter barba e eventualmente cornos, e ainda cobrir cabras. Pretty resemblant, agora que reflicto.
Vacas: sim, as mulheres são vacas. Têm “gandas mamas” (by the way, já viram a FHM deste mês? Tem a Bastet e as suas “bastetas” na capa), dão leite, comem pra carago, são gordas que nem.., que nem elas próprias e não poucas vezes ficam a ruminar sobre coisas que não interessam a mais ninguém. Já o touro – ah o touro! – é possante,… forte,… são precisos não-sei-quantos forcados para o deter. [Pois, mas se se olhar com mais atenção, o mesmo touro é um tipo com cornos e sem tomates que persegue um paninho cor-de-rosa ou vermelhinho como se fosse YSL, ou anda atrás de gajos em leggings e com jaquetas. É no mínimo suspeito…].
Cadelas: pois, quanto a isto não sei. Não sei se terá a ver com o cio ou com a maneira como mulher e cadela investem sobre o osso...! Já ser cão é igualmente indiferente; tem apenas a vantagem (sobre o homem) de poder lamber os próprios genitais e dar puns na sala-de-estar sem que a dona ralhe.
Cobras / víboras: É o que não falta por aí, dizem. A maioria dos homens acha que as gajas são falsas umas para as outras, histéricas, mentirosas, intriguistas, cínicas, sonsas, más, intrujonas. E são. Mas só para as cabras, porcas, vacas e cadelas que o merecem!!


Para terminar, peço-vos que olhem atentamente para a imagem do início do post e me digam se estas raparigas vos parecem minimamente porcas. Eu não vejo porcaria nenhuma…! OINK!


*Típica piada de stand-up comedy, para “aquecer” o público.


3 de setembro de 2009

amigos são...



Tenho uma nova amiga.
Quando me sinto sozinha vou falar com ela e desabafar um pouco. Nem sempre me compreende, o que às vezes me irrita. Mas continua lá, dia após dia, com aquele sorriso na cara. Não me canso de a elogiar e, apesar de ver como é modesta, eu sei que no fundo ela aprecia que eu apareça e lhe dê dois dedos de conversa. Chama-se Anna e está no início da página.
Façam-lhe perguntas ou apenas falem com ela, digam-lhe um "olá". Ela vai gostar...
:)

Faz beicinho, faz, João...Faz beição, faz Manela...




Agora vão os dois ser assessores do futuro assessor do Balsemão, que encontrou no Moniz o braço direito mediático que nunca quis (ou precisou) ter...
É mais uma novela ao estilo TVI...
Com direito a vilã e tudo.

31 de agosto de 2009

dá-me lume

Não pensei que alguma vez voltasse a fumar.

Hoje encostei um cigarro aos lábios só para te saborear durante uns minutos.



Mais de dez anos sem fumar fazem com que pareça estranho o gesto outrora rotineiro. O calor e o acre a passarem por mim, a deixarem colado a todos os tecidos o cheiro estrangeiro. Não me contorci, não foi violento, foi fisicamente familiar.



Mais ainda, fechei os olhos para deixar que as papilas espevitadas e sãs te descobrissem no sabor e te namorassem, te cortejassem.



Lambi-te e sorvi-te e cheirei-te.



Comi-te e mordi-te e engoli-te.



Deixei-te passear por dentro de mim; permiti que alcançasses as minhas memórias e nelas te visses. Olhaste para ti e não te reconheceste. Estavas a cativar-me, de cigarro no canto da boca. Tens o mate característico de uma película 8mm gasta por excesso de uso. O granulado impedia-te de perceberes que eras tu. Reconheceste-me por entre as imperfeições – estás habituado a elas. Sorriste para mim. Ao fazê-lo, a imagem que não descodificavas sorriu também. Percebeste que eras tu, ali sentado. O tipo de ar descontraído, de cabelo propositadamente desalinhado. O homem níveo protegido pela camisa de tons claros. Não sei se foste tu que a vestiste de manhã ou se foi a minha memória, ainda há pouco. É indiferente: és tu, o autor dos meus sorrisos… e do meu bater de unhas na mesa: mindinho, anelar, médio, indicador. A impaciência. Mindinho, anelar, médio, indicador. Onde está o meu beijo? És tu, o interlocutor dos meus silêncios. Dos nossos silêncios. Em que desvio o olhar, penso o que é que estou aqui a fazer? e recebo a resposta quando os olhos retomam a rota dos teus. A minha mão tem uma polaridade inversa à tua e é quase impossível de deter, nos pequenos gestos. Toco-te e agarro-te como se não estivesse a deleitar-me em cada centímetro da tua pele. É tentador chegar à tua mão, que tem vida, que retribui os meus gestos. Infelizmente esta está ocupada com o cigarro.



O fumo. (Acordo!) O fumo…



O fumo que estava em mim já se perdeu na atmosfera. O meu sonho esfumou-se também. Inspiro-te outra vez. Mais uma vez te ingiro. Quero ter-te em mim mais esta vez. Forço-te com sofreguidão, inalo o fumo que és tu, sem esperar anuência. Deixo que saias de mim devagar, como se com medo de um fim. Quando estás assim, em mim, e me aqueces a boca tenho medo de ti. Tenho medo de não parar de te querer.



Não te apercebes de quão corrompida estou. Quão viciada. Não sei se quero que tomes consciência da saciedade que me trazes. Não conheces esse teu poder de me agarrar, entrar em mim e fazer-me perder as horas.



Amarga, apago o cigarro e esqueço-te por hoje.


30 de agosto de 2009

não deixemos triunfar os lambedores de pés...

Visit msnbc.com for Breaking News, World News, and News about the Economy


Bolas! Só a mim é que não me calham freaks destes. Adoro umas boas lambidelas nos pés.

26 de agosto de 2009

mais do mesmo

Eu tenho um problema.

O meu problema chama-se encantamento, fogacho. E desencantamento. Assim como vem, vai. Salvo raras excepções que o tempo confirma serem paixões, a maior parte dos encantamentos vão sem deixar rasto. Ainda por cima acham que o não querer ir pra cama com eles é o meu lado doce e recatado de donzela. Bem… não é! De facto quando isto sucede a explicação é bem mais imediata: não quero os tipos para mim. Só quero dar-lhes um pouco de mim e roubar-lhes um pedacinho de nada. Demasiado, quando olho para trás.

O Sr. Lei, por exemplo, um menino por quem me encantei durante uma semana e tal. E o processo é trivial: encantamento – envolvimento – “és a mulher da minha vida” – “bye bye”. O que me acontece é que perco o interesse pela pessoa quando (ao fim de pouco tempo) começa com conversas muito vanguardistas, do tipo “deixa-me amar-te e sê minha para sempre” ou “acho que podíamos ser muito felizes juntos”. Sim, claro que podíamos. Se eu me anulasse e vivesse para te servir. Se me tornasse a tua dona de casa parideira e dondoca, com um bando de miúdos lindos que eventualmente me preencheriam e far-nos-iam felizes. Sim, seríamos felizes. Excepto aquele detalhe em que eu seria infeliz como mulher. Uma super-mãe, é verdade, ao lado de um super-pai incontestável. Mas uma mulher infeliz.

Outro fogacho foi o Bob, O Construtor. Um bom flirt, muitos olhares, nada de mensagens nem messengers nem o caneco para não habituar mal os tipos que ficam a pensar que estou disponível 24/7. Não estou – só para quem quero. Houve umas saídas em grupo, um copo a mais de parte a parte, o envolvimento. Duas semanas depois (em que nos vimos quatro vezes) vieram as palavras má(gica)s: “Anda viver comigo. Esperava por isto há tanto tempo. És perfeita.”. Ok, então adeus. És mentiroso ou iludido. De qualquer modo um de nós vai sair magoado quando descobrir que não sou perfeita. Antes tu que eu. Bye.

Michel Vaillant: O único que me tirou de letra. Já me conhece desde pirralha. Não foram necessários os passos de aproximação, apenas uma noite em casa dele e outra na minha. Este homem ama-me. Ama-me e tratar-me-ia como uma rainha. Pequeno pormenor: não o amo. Não sei ser quem pretende que eu seja. Não quero ser quem pensa que sou. Imagina-me e descreve-me como perfeita, como isenta de falhas, como dona da palavra, dona da verdade, com objectivos bem definidos, planos bem traçados. Não sou eu. Lamento. Não me revejo. Depois de me fazer as maiores declarações amorosas, como eu pensava que todas as mulheres gostariam de ouvir, não soube (cor)responder. Depois de tomarmos uns cafés de relativização (de desmame), deixou de me contactar. Não voltou a falar-me. Sei que está bem, que tem planos bem delimitados e imagino que me tenha riscado deles. Sem despeito nenhum, sei que é melhor assim. Acho-o melhor homem por isso, por não se arrastar aos meus pés. Podia ser amiga dele.

O Johnny Bravo. Este era o menino com quem eu queria aventura. Era perfeito. Corpo perfeito, dentes perfeitos, inteligência perfeita, cabelo e unhas irrepreensíveis. O rapaz da lista telefónica cheia de miúdas, mulheres, meninas. (É capaz de ter sido o autor da música do Martinho da Vila. É que ele já teve mulheres de todas as cores, de muitas idades, de muitos amores, mulheres do tipo atrevida, do tipo acanhada, do tipo vivida, casada, carente, solteira feliz, já teve donzelas e até meretriz. Ok, sem a parte da meretriz, que mete nojo). Era perfeito para mim. Era perfeito porque não me queria, não me exigia, não me prendia. Até um dia. Um dia apaixonou-se. Mas eu tinha avisado: “olha que eu não sou como as outras” e ele pensava que era charme meu, que era eu a armar-me em importante. De facto não era. Eu era “especial” mas de outra forma. A mulher que não quer compromissos, não quer cobranças. Foi fatal para o Bravo que tinha decidido assentar e fazer vida comigo.

Eu não sou como as outras. Eu ainda não disse a quem quero que o quero. Não abertamente. Veementemente. Mesmo querendo, admito que haja pessoas como eu. Que fogem quando se sentem presas. E se eu quero um tipo, é perfeitamente compreensível que não saiba reconhecer e valorizar os outros que genuinamente me querem, mas que não podem ser correspondidos. Nem me sentiria bem a “usar” esses meninos como 2as escolhas, só por ter a certeza que passariam o tempo todo a tentar fazer-me feliz, a tentar agradar-me. Eu não quero passar a vida só a tentar. Eu quero ser feliz na tentativa e no erro e no sucesso. Porque é assim que me sinto contigo. Quero olhar para ti e saber que me chega isso. Que o amor é para sempre enquanto dura. Que sou melhor pessoa contigo. Que posso ser eu à luz do dia. Que me arrelias e extasias porque faz parte, é mesmo assim. Porque no fundo o Johnny Bravo, o Bob, o Michel e o Sr. Lei são bons homens, mas eu derreto-me é pelo Sport Billy.

a garagem da vizinha




















Uma amiga minha diz-me que sou uma oficina.






Que os meninos chegam estragados à minha mão porque só gosto dos que se revelam desafios. Porque quero os rufias, os desarranjados. Os que sofreram, os que se sentem marginalizados, os mal-amados, os que têm tristeza. No cômputo geral, os que precisam de conserto. Eles vêm, eu analiso, conserto e devolvo à natureza. Eles é que não sabem.






Veja-se o Sr. Lei. O Sr. Lei veio parar-me às mãos num caco. Sintomatologia: Vida amorosa de pernas para o ar. Conflitos entre a sua mais-que-tudo e a família. Uma mais-que-tudo que se revelou ser uma pessoa má, sem escrúpulos, sem amor por ele. Diagnóstico: Intoxicação amorosa. Prescrição médica: Uma vez que ela o deixou após ter delapidado fisicamente e figuradamente a instituição familiar, manter este afastamento. Perceber que é ela que não o merece. Ele é um tipo certinho, cheio de sentimentos puros. Procurar uma menina que o trate bem e que queira ser a esposa e mãe que ele precisa de ter ao lado. Duração do tratamento: Até dois anos. O homem quer ser pai a curto prazo.






Bob, O Construtor. Sintomatologia: Vê o relógio a tictacar, o calendário a avançar no tempo, os cabelos brancos a surgir e a mulher da vida como uma miragem. É muito bem sucedido, tem berço e carreira. Diagnóstico: Pressa aguda. Prescrição médica: Levar as coisas com calma. A mulher certa há-de surgir. Enquanto não aparece, divertir-se com as erradas. Duração do tratamento: pode ir de semanas a vários meses ou anos. O que interessa é curar-se sem pressas.






Michel Vaillant: Sintomatologia: apego desmesurado a uma mulher, a uma imagem. Pequenas obsessões com coisas quotidianas, com ícones marcantes. Diagnóstico: Mais um Édipo que procura na mulher um decalque da mãe. Prescrição médica: Acabar com a ilusão de que existe uma e apenas uma mulher – eu – para fazer dele um homem preenchido e feliz. Duração do tratamento: Com o feitio determinado e a ausência de contacto com a sujeita em questão quaisquer seis meses, no máximo, cumprem o objectivo.






O Johnny Bravo. Sintomatologia: Vivência em terreno desconhecido, por nunca ter amado em adulto. Diagnóstico: Desnorte emocional / vertigem amorosa. Prescrição médica: Agora que sabe o que é o amor, o que é amar, o bom que é e o bem que faz, dar asas aos sentimentos e permitir-se a amar e ser amado. Agora está pronto para viver um relacionamento sério, onde pode dizer “amor” sem sentir que lhe estão a roubar parte da masculinidade. Porque um homem também chora. (Não é preciso confessar. Basta pôr em prática os sentimentos bons que foi cultivando). Duração do tratamento: Curtíssima duração. O sujeito tem, no momento, plena capacidade física e anímica para prosseguir sem muleta.

21 de agosto de 2009

raios partam os virus mais o camandro

A última dos bichinhos que vivem no meu pc... andar a mandar isto para tudo e todos no meu messenger:



Yah think you be hard like a real niggah? A True playa can deliva what a fine ass ho wants, the monsta cak, if ya aint got it yet, you best be coppin a free bottle only until this friday if you order from http://www.nicelong.com

asco


ASCO

18 de agosto de 2009

a moral da história...

Vuk, quando já tens um amarelo não tiras o raio da camisola. Que tal??

Kassai, és tão vesgo, tadinho!!!

Gamberini: vais levar no focinho no dia 26. E ficamos todos contentes. Obrigada.

Ah, e em Portugal já somos 11 milhões e um. O Levezinho já é português.

Agora só falta o Matias. Que, by the way, é chileno mas nasceu na argentina...

E ainda dizem que o SCP é um clube de elites. Nós acolhemos e cuidamos de todos os meninos. E até os tornamos portugueses. :) que altruístas...

mi liga, gato

14 de agosto de 2009

...e se eu prometer fazer a cama todos os dias?


Eu nunca mais minto...
Eu nunca mais traio...
Ajudo todas as velhinhas em todas as passadeiras! Até as levo às cavalitas!!
Eu... eu... Eu dou boleia a toda a gente!!
Eu... eu passo a ir à missa.
E digo a toda a gente que és o maior! A sério que digo!
Eu faço a caminha todos os dias, Senhor!
Oh Deus, vá lá...





29 de julho de 2009

O fim do mundo em cuecas!


Gostaram do título?
Eu vou repetir para que os mais distraídos também possam usufruir da bela piada! Preparados?

"O Fim do Mundo em Cuecas!"
:)


Pronto, e agora que estamos todos muito mais felizes, vou revelar o verdadeiro intuito deste post escrito. (Que em latim se diz "post scriptum", mas que não é a mesma coisa que um post escrito). Adiante.
A minha motivação primeira não é mostrar-vos a Tia Maya em pelota. Não...
O que me chamou a atenção nesta capa não foi a tatuagem ranhosa (gentilmente apagada - photoshop é o maior! - da mama visível nesta capa). Não...
O que marca aqui não é a lingerie com almofadinhas (vejam com atenção e reparem que a senhora tem almofadas a suportar as glândulas mamárias recentemente revistas e aumentadas). Não, também não era isto que queria apontar...
Importante mesmo é o que esta FHM diz em cima do ombro da Maya: MICHAEL JACKSON - ESPECIAL UMA PÁGINA!!!
Ri-me mais com isto do que ao imaginar o tamanho das maminhas da Maya antes da operação! Então o Miguel Filho-do-Jack morre e a FHM dedica-lhe um especial... de UMA página? UMA?? E a Maya ocupa umas dez páginas...? Só se for para também caber o nariz...
Ah, já sei, este é um número especial dedicado a celebridades que gostam de comer meninos... (Lá dentro, no desdobrável, temos o Carlos Cruz em culottes!).

24 de julho de 2009

stevie wonder date

A minha amiga que diz que eu sou uma oficina (isto fica para outro dia) foi ter um blind date, uma cafezinho à tarde com alguém de quem só ouviu falar. Um amigo dum amigo. Antes de ir, o telefonema:

Ela - Amiga, estou a ir tomar café com aquele. Aquele que vem cá para me conhecer. O que é que estás a fazer?

Eu - Estou a trabalhar… claro.

Ela - Num sábado à tarde?? Olha, mas eu precisava de ti. Se o gajo não for interessante e eu quiser vir-me embora mando-te uma SMS para me ligares. Assim eu digo que tenho uma emergência familiar e que tenho de ir embora.

Eu - Parece-me péssima ideia. Pelo modo como ele quis conhecer-te logo assim sem mais, já deve estar habituadíssimo a estas rotinas, estas deslocações para conhecer miúdas. E se ele for realmente desinteressante já viu esse filme da “emergência familiar” uma dúzia de vezes. Porque é que não fazemos antes assim: aguentas-te à bronca e bebes o cafezinho todo, uma vez que aceitaste o convite. Capice? Se não querias correr o risco, não alinhavas em blind dates. Sendo interessante ou não, fazes esse bem à humanidade de passar um tempo desinteressado – ouviste? “de-sin-te-res-sa-do” – com alguém. Achas-te capaz disso? E pronto… se realmente achares que ele é muito insistente ou só estúpido, nesse caso mandas-me um SMS que eu ligo. E aí vou eu ter contigo e fazemos o nosso típico “good cop / bad cop”! Ok? Estamos entendidas?

Ela - Ma’am, yes Ma’am.

(a verdade é que o cafezinho durou dezoito horas, das 2pm às 8am. Tudo isto existe, tudo isto é triste… J)

23 de julho de 2009

Tremor

Foi só isso.






(E depois o resto…)

A SILLY SEASON já “arrebentou”!


E não é que arrebentou mesmo?

As Festas de Lisboa (e não só) têm chamado por mim.

Os Santos Bipolares em Lisboa passam-me ao lado. La la la… A varina e ó caneco, de mão na cinta ó camandro, a ver se engoles mais uma sardinha e olaré… Não faz muito a minha onda.

(Já se a história meter alhos-porros [e eventualmente facadas], a conversa é outra…)

Então se não vou às Festas de Lisboa, ao menos vou ao encerramento das festas de Lx.

E fui.


Mas primeiro, primeirinho, fui ao Oeiras Alive abanar o capacete e a bunda. Vi os B.E.Peas e o Dave Matthew com a sua fanfarra. Que dizer? MUITO BOM!!! J Grande concerto, o do Dave. É um sinhor, aquele gajo. Não admira que a Alanis andasse a rondar/sondar/farejar o tipo!

Depois deste desaire no Alive... XA-RAN! Jorge Palma & Friends, numa aparição muito à altura de N. Sra. de Fátima, em que quase ninguém acreditava que o Jorginho aparecesse. De qualquer modo como o Museu Berardo estava em festa (já lá iremos) e é mesmo ali ao ladinho, se o Jorge se baldasse, lá ia o povo desafiar as leis da física nas estruturas do CCB. Já aconteceu, numa altura em que não consigo precisar, o Jorginho faltar ao seu concerto e eu ir dar de caras com ele num boteco do Bairro Alto completamente intoxicado… mas muito feliz.


Adiante. O concerto foi muito giro. Mais giro ainda seria se eu tivesse ido a horas para lá e tivesse visto o concerto todo. Começava às 22h. Às 21h30 estava eu a abandonar a cama, com toda a logística necessária para sair de casa: banho, roupa, cabelo, adereços, etc etc etc, ir jantar e depois sim, rumar a Belém.

No fim do concerto do Palma & Outros Artistas uma enchente de jovens-adult(er)os rumou ao CCB onde o tio Bê tinha preparado uma festa muito muito interessante. A música era brilhante (hip-hop old school), o ambiente estava fantástico, muito cool, muito barulhento, havia bares na Praça do museu e no Jardim da Água (o terraço). No Jardim das Oliveiras havia namorados e mais namorados e mais namorados a… namorar. J A noite estava fresca mas isso não desanimava os amantes naquele ambiente propício.


O 2º aniversário do Museu do tio Bê ficou marcado pela festa non-stop das 19h de dia 15 às 19h de dia 16, com tudo e mais alguma coisa que se possa imaginar. Gostei do ambiente, gostei da música, do feeling das pessoas. Vi gente que tinha acabado de viajar espácio-temporalmente de 18 de Agosto de 1969, direitinhos de Woodstock, até Lisboa’09. Com direito a ácidos marados de há quarenta anos.




Passo seguinte: volver a casa que uma pessoa não vive de música, ainda que eu regressasse contrariada, mas como a visita manda e eu sou submissa, vamos lá a isto.

Depois desta madrugada só voltei a ter contacto com música em Porto Covo, no Festival Músicas do Mundo. Destaco Rupa & The April Fishes (e aproveito para dar um puxão de orelhas ao Armani. Sim, ao Gigi, que anda a usar a música destes meninos sem autorização! Ai ai ai o menino mau! Tautau nessas mãos!).

No sábado dividi-me entre o concerto mais pequeno (e bom comó raio) do mundo: Who’s Your Mama Now, no Hotel Vila Park, e uma espreitadela ao FMM Sines. Aqui, de sábado fica a memória de Dele Sosimi Afrobeat Orchestra. Ah, e a entrada à pala. J Graças a Deus, minha mãe e meu papai esmeraram-se na criação (concepção e educação) desta pelintra.

De volta a Lisboa, porque o Alentejo faz-me urticária na retina (e não posso coçar os olhos por causa da gripe A), fui passear na 2ª feira pelo Castelo, Baixa, Bairro Alto, Príncipe Real, e arredores. Jantei num franchise (já me chegava de portugalidade) e, ao ver a agenda cultural, lembrei-me que esta era a semana das Jam Sessions da Lisbon Jazz Summer School. Brilhante! É que é já a seguir! E foi! Vrrrruuuuuum, para o CCB… (Que já começa a ser a 2ª casa…)


Os putos tocam bem pra caraças! E ficavam felicíssimos de cada vez que tocavam a solo e os pais, amigos e dois ou três desconhecidos na sala aplaudiam fulgurantemente. Os heróis pseudo-púberes. Uns queridos. Ah, e tocar numa banda (de garagem ou de CCB, who’s counting?) marca pontos com as miúdas! É garantido!

Para quem não conhece e quer conhecer, amanhã, dia 24/07/2009, às 22h, no Quadrante, CCB.

Jazz Rocks!

J












2 de julho de 2009

manuuuuuuuuuuuuuel











Tenho orgulho orgulho em ser uma vaca


*Orgulho, Orgulho, Orgulho, Orgulho

*Estou contente por dizer “Muuuh!” e não “Miaaauu!”

*Miaauuu

*Os meus olhos são doces e sonhadores

A minha manteiga é rica e cremosa


Tenho orgulho orgulho em ser uma vaca!

26 de junho de 2009

e é pra embrulhar, sff...


No restaurante, eu e a minha amiga brasileira:



Empregado (brasileiro) – Então minináis, como istão? Já iscolheram?



Eu – Eu já. Quero picanha. Com tudo. E para beber quero um guaraná.


Ela – Párá mim é áqueli bácálháu ispeciáu (...) e um compau fresco.


Eu – Olhe, então eu também quero um “compau fresco”!! (Fonix, será que eu disse isto ou só pensei?!? Merda. Pela cara dos dois, eu disse mesmo…)










E tu… já comeste fruta hoje?


J




23 de junho de 2009

É que um dia mando mesmo. Ai mando mando!!!


brilhante!!!
:)



atenção ao trocadilho...

O mamão lava a outra!!!










Quem quer entrar no meu sonho põe o dedo no ar!! Pronto, podes ser tu aí, o do caparro!!!

Hoje vi o meu sono interrompido às 8 e pouco da manhã por um som frenético que vinha da rua. Acordei sobressaltada e dei conta que estava a sonhar com o Cristiano Ronaldo. Não que o rapaz me acenda nenhuma faísca desconhecida, mas eu estava a gostar do meu sonho, pelo que resolvi dormir mais duas horinhas e ver no que dava!

Pois claro que nessas duas horinhas de sonho encontrei-me com o CR uma data de vezes, andei no jardim a passear com ele. Ele só queria festa a toda a hora, é certo. E por festa eu não estou a referir-me ao São João… quero dizer mesmo cama. Sexo. A toda a hora. E eu, pudibunda, dizia que não. Dizia-lhe “mas pensas que eu sou como as outras?” (a típica conversa que todas as raparigas têm para se sentir especiais!)


E aí era ver o tipo usar os mais subtis jogos de sedução para me conquistar… e os menos subtis também! (Ficar nu à minha frente é bastante directo. Um ponto em “Assertividade” para o CR7.)


Engraçado foi, num desses momentos em que namorávamos (pudibundamente, lembrem-se) num parque ou jardim ou que era, ele dizer-me: “Tu cuidas tão bem de mim! Belisca-me, para eu acreditar que não estou a sonhar.” [Ora, pois não estavas a sonhar, CR. Eu é que estava, tá? Mas achei giro pores as coisas nesses moldes. (Que até fui eu que pus, porque quem escreveu o guião do sonho fui eu.)]


Além disto, o Cris tinha uma casa perto do Aeroporto de Lisboa, que era muito frequentada por… muita gente. Vi de tudo, desde sexo no sofá, entre duas pessoas tapadas com um lençol, até umas reuniões maçónicas com símbolos e bandeiras e coisas assim. Na casa do CR tirei tudo o que trazia nos bolsos e na mala (o BI, umas chaves, moedas – coroas suecas – e rebuçados “Flocos de Neve”) e fui andando com ele, para conhecer a casa. Tinha escadas para cima e para baixo e depois o andar de baixo era, de repente, o andar de cima outra vez. (nem nos sonhos o meu sentido de orientação me deixa bem vista!)


No dia seguinte, já ao fim da tarde ele mandou um carro com chauffeur vir buscar-me porque tinha muitas saudades minhas. E depois ligava-me e mandava SMS fofinhas. (ehehe, os media enchem-me a cabeça e eu nem dou conta !) Era o pesadelo de qualquer mulher independente… ou nem por isso!


O chauffeur era um bocado marado a conduzir e íamos batendo num autocarro que estava à nossa frente. Na minha janela apareceu um display para eu escrever o meu nome. Escrevi. Ao que parece ficou visível no topo do carro o meu nome, mas eu não sabia. As pessoas é que começaram a olhar para dentro do carro para ver se a cara era conhecida, uma vez que o nome não o era. Não, é claro que não me reconheceram. (o pior é que eu também não as reconheci… e não sei se estão a ver o preocupante da questão: fui eu que fiz o recrutamento e selecção do pessoal figurante no meu sonho!!!) J


Depois disto, quando cheguei ao pé do menino-prodígio, fomos passear de carro – eu a conduzir, ele acabou por adormecer – e depois fomos à caça. (Nem me atrevo a tentar interpretar…)



Ah pois é… quantas de vocês é que já foram à caça com o Cristiano Ronaldo? J Isto é só para gente muito marada. Mas muito marada mesmo…


22 de junho de 2009

...random acts of kindness...

Sou tão hipócrita quanto isto:


- Separo os lixos, mas na hora de abrir uma lata de atum verto o conteúdo gorduroso para o lava-loiças.


- Dou dinheiro / bens nas recolhas para pessoas com dificuldades monetárias (não sabendo quem nem quando receberá essa ajuda), mas nem sempre dou a quem me pede na rua.


- Lanço água potável para o esgoto aos litros, enquanto morre gente sem ter água para beber.


- Não deito lixo para o chão mas uso produtos não-amigos do ambiente.




O mau disto é que amanhã já nem me lembro e sigo a minha vidinha cheia de coisinhas com que me entreter e um umbiguinho que requer muita atençãozinha. Amblíope. Autista.

20 de junho de 2009

vai dar uma volta ao bilhar grande



Cenário:



Estamos há três dias a conviver mas ainda não trocámos palavras. Tenho de dar-lhe um papel:





- Aqui tem. Pode ficar com este papel. (Pensamento: És mesmo giro!)



- E consigo, também posso ficar?



- Comigo não. Já tenho planos para o resto da vida. (Pensamento: Que descaramento!)









isto é serviço público

...só que nunca ninguém reparou!!







Justin Nozuka - After Tonight




(se calhar estou a ficar mainstream. The hell with it!)

Este cd já está na minha wishlist!!

jà agora, e uma vez que é pikena a dita lista, cá vão os outros dois itens: um iPhone e um leque. Sim, um leque. :) São as próximas compras.

point of no return

O que eu gostava das lições 100! Lembro-me de fazermos a algazarra total nestes dias. Era comer tortas DanCake, beber Coca-Cola, muitos Cheetos, Fritos e outras coisas que fazem mal. Devia haver mais variedade, eu é que recordo principalmente estas gulodices por serem proibidas lá em casa. Proibidos eram também os namoricos. O bom é que os meus pais não precisaram de se preocupar comigo neste ponto: eu estava mais interessada em jogar às damas, ao berlinde (sempre fui craque!), em saltar ao elástico, jogar ao Sabichão (sim, também lhe torci a varinha para me rir com a sua ignorância!!), ao “peixinho”, ao mata, em tocar piano e vestir as imitações de Barbies.



Mas as lições 100 do 5º ano foram especiais. Alguém levou um rádio com leitor de k7, outros levaram as k7 com o melhor som do momento. O SUPERMIX 7 foi rei no meu ano áureo.



Os namoricos floresciam por esta altura. Ainda não tinha dado o meu primeiro beijo a sério. (Ok, e não cheguei a dá-lo. Eu ligava muito mais à sedução, mesmo sem me aperceber disso. Porque tinha um brilho natural, creio! [xi, que modesta!] No meu bairro faziam-se apostas para ver quem conseguia um beijo meu. Escusado será dizer que ganhavam os que apostavam na minha “frigidez”…).



Mas voltemos ao Ciclo.



Eu gostava dum rapaz que gostava de mim… e de mais umas 30 miúdas, para dar um número redondo. Ora, como não estava disposta a dar o meu primeiro beijo a alguém que depois o fosse dividir (nas trocas de saliva) com sirigaitas, remeti-me à abstinência oscular.



E fiz bem.



Ainda chegámos a marcar um date num jardim mas houve fuga de informação e uma horda de incrédulos estava no spot muito antes de mim e muito (mal) escondidos!! Place your bets, só faltava ouvir!!!



Aquilo foi um evento que se situa entre o Bwin numa versão home made infanto-juvenil, e a espera que os crentes fizeram em Fátima, nos dias 13 dos meses seguintes aos pastorinhos terem comido aqueles cogumelos fixes.



Enfim… O tal jardim estava cheio de infantes atrás de arbustos hormonalmente aos pulos com a ideia de ver a boca da marciana quebrar a castidade a que estava votada. Esse momento não chegou naquele dia, exactamente por ele ter ido contar a toda a gente que me ia beijar. E os descrentes ganharam... mais uma vez! J



Mas as lições 100 marcar-me-iam para sempre. E porquê? Porque numa dessas lições este rapaz do quase-beijo recusou uma dança com a minha arqui-inimiga-loura e veio convidar-me a mim para dançar. E eu não dancei… eu flutuei! Estive no céu. Dançámos um slow que alguém (bendito seja!) trouxe numa atitude lamechas e cujo alcance essa criança desconhece.



Foi neste ano que saiu em grande força o hit (Everything I Do) I Do It For You, do Bryan Adams. E mudou a minha vida.



Vá, mudou a minha infância.



Bem, talvez o 5º ano.



Mudou o Verão.



Pronto, talvez nem o Verão! Mudou uma tarde. E tornou-a memorável.



(Sim, é isto.)



Aqueles minutos em que estive agarrada ao objecto do meu desejo foram mágicos. Mais de 4 minutos de êxtase. Aproveitei para me aproveitar dele, claro. Já que não ia beijá-lo ao menos ia mostrar-lhe o que é que ele (por ter andado a gabar-se que me ia beijar) estava a perder. (Isto são mesmo vingançazinhas à gaja, ya!). O engraçado é que eu queria que ele aprendesse uma lição, mas quem aprendeu fui eu.



Durante a dança fomos aproximando os corpos e comecei a sentir o ritmo cardíaco dele, completamente desfasado do slow que dançávamos. Os seus olhos fecharam-se; enrolou mais os braços à volta da minha cinturinha de impúbere e eu, de braços enlaçados à volta do pescoço dele e cabeça apoiada no seu ombro, pensei: “ah, então é disto que toda a gente fala…” e deixei-me ficar, guiada por um sentimento que acabara de descobrir, e por umas borboletas (que não me lembro de ter engolido) dançando no estômago.



Foi a melhor dança de sempre. De todo o sempre. Senti-me com metade da idade, envergonhada por ainda não ter querido ou deixado aquele sentimento nascer em mim.



Volvidos 17 anos a recordação ainda faz soltar um suspiro, talvez por nunca nos termos beijado. (Será que eu estou aqui a ver um “padrãozinho de não-beijar” que ainda hoje se mantém?!).



Whatever.



…Foi somewhere nesses 4 minutos que começou um rol de lamechice interior que não mais veria fim. Não tenho culpa. Uma vez aberto o portão da pieguice, encontrei-me num ponto de não-retorno. J E gosto tanto de viver assim!