A saga do tiramisu.
Vou deixar a receita, uma vez que é dela que falarei nas próximas linhas!
Começa por separar-se as 6 gemas das claras. Easy task. Toda a dona de casa sabe separar as gemas das claras.
Passo #2: bater as claras em castelo.Pego na minha batedeira mono-vareta e atiro-me a elas. Esqueci-me foi de alguns princípios fundamentais: a lei de Newton e a força centrífuga [Fcf = M.v2/r]; a Lei de [Edward] Murphy e a minha falta de jeito; e, por fim, um motor desengonçado e uma vareta com vida própria!!! Acontece que a mono-vareta devia estar behind bars com a seguinte sinalética: beware of whisk!!!
É que mal se pôs a trabalhar o raio da vareta espalhou-me as claras por todo o lado. E quando digo "todo o lado" quero mesmo dizer "todo o lado"!!! E as claras, por bater e geladas, são extremamente viscosas e transparentes, o que fez com que se escondessem em todo o lado. E quando digo "todo o lado"... (pois, já sabem...)
Foi ver claras na torradeira, no fogão, na parede, nos armários, no chão, no avental, no cabelo,... e na cara. Primeira reacção: limpar o visco dos olhos. Segunda reacção (e esta é mesmo à "gaija"): Ah pois é, a clara faz esticar a pele!!! BOA, então deixa 'tar!!!!
Então, espalhei muito bem as claras pela cara e deixei o milagre acontecer. E foi acontecendo enquanto limpava a cagada que tinha feito no resto da cozinha.
Procedimento #3: Repetir o #1 e o #2! Simples, não é? Voltar a fazer tudo de novo!!! Bota novamente 6 claras num recipiente, a milhas das gemas. E só então me apercebi: se o whisk não ta a funcionar bem, vou ter que bater as claras em castelo... a la mano????? Pois é, assim foi. Arregacei as mangas e lá me pus a bater (n)aquelas claras como se estivessem a pagar por um crime merecedor de espancamento.
Custou. Custou... Troquei de mão várias vezes porque é realmente um procedimento que requer muita coordenação, mas lá consegui. E até dava para virar o caçoilo de cabeça pra baixo. Ficaram mesmo boas, as claras montadas. (isto é terminologia culinária!!!!)
4º passo: 6 gemas com 6 colheres de açucar muuuuuuuuuuito bem misturadinhas, até se obter uma mistura esbranquiçada! Nesta altura, a sobrancelha sobe até ao alto da testa, quase a tocar nos primeiros fios de cabelo: como?? Epah, com batedeira é uma coisa, agora... manufacturado? Depois de ter montado as claras? Estou exausta... Isto requer força extra!
E o que fiz? Já que tinha o vermute ali à mão, mandei um cálice goela abaixo. Aaaarggh!! Carago, não há bicho que resista!
Pumba, lá transformei as gemas amarelinhas e o açucar numa mistura clariiiiiiiiiinha e muito fofinha. Depois foi só juntar os 500g de mascarpone e continuar a dar ao braço.
Vários minutos depois... Tarefa cumprida.
Next one? Embeber os 300g de Palitos La Reine em café mega forte (com Vermute) e dispô-los num tabuleiro ou pyrex.
Buscar as claras em castelo e envolvê-las na mistura esbranquiçada. Este é o creme com que se cobrem os palitos.
É só ir fazendo camadas a gosto e atirar com o pyrex pró frigorífico. Não precisa de muuuuuuuuuitas horas de frio.
Antes de servir, polvilhar com cacau em pó.
Nisto, eu estou mascarada de colagénio, e não é que a conalbumina funciona mesmo? A pele ficou esticadinha e fofinha...
(muito mais tarde, mesmo antes do jantar, ponho-me a fazer bruschettas de crème fraiche, atum, tomate e tomilho. Quando estou a torrar o pão cheira-me a eggs benedict!! Antes que a imaginação voe para um acontecimento qualquer, tenho de me concentrar: donde vem o cheiro?? Ah, pois claro... De pedaços de visco (a.k.a. clara d'ovo) que escorreram pra dentro da torradeira e escaparam à esterilização...
(Tenho de mandar vir o CSI para identificar o visco, pra eu limpar isto a fundo...)

























