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Os meus amigos estão todos a casar. Alguns até saltaram essa parte e foram directamente para os filhos. [Sim, no plural!]
Eu não tenho essas aspirações.
E toda a gente acha que eu tenho ar, perfil e vontade de ser mãe. De ser esposa. Just for the record, I’m not housewife material!!!! [Not yet, at least…]
Ainda sou muito nova para me arruinar, penso.
E ver os casalinhos abençoadinhos a escolherem que tule, que flores, que menus, que música, que alianças e que gente levar à boda parece-me uma ocupação bastante entediante. Acredito que seja por não ser o meu, mas não deixo de achar extremamente BOOOORING!
Casar para quê? Para quem? Para ir de lua-de-mel? Para encaixar uns trocos? Para ser mais feliz? Alguém é mais feliz apenas e só por ter casado? Casar para deixar de ser pecado o truca-truca praticado duas vezes por semana e redimido, na missa, ao domingo? Tontería.
E ter filhos? Quem é que [no seu perfeito juízo] quer trazer agora mais crianças ao mundo, a este mundo? Quão egoísta é essa shit?
Sim, se calhar sou só eu que sou ressabiada…
[Fonix, e acabei de criar aqui uma aliteração espectacular. Sou genial. Relacionalmente inepta, mas genial no meu conjunto…]
Ao explicar esta minha angústia a um amigo [um que vê sempre o copo meio cheio], chegámos à conclusão – pfff, como são tontos os “outros” – que agora os casais andam todos eufóricos, mas que daqui por uns meses o discurso muda:
Ela começa a queixar-se que ele deixa a toalha no chão e a tampa da sanita levantada. [Eu cá acho que eles fazem de propósito! Alguns até devem vir a sair do WC e lembram-se “Ah, porra, quase me esquecia de deixar a tampa para cima só para termos do que falar hoje, à mesa…”]
Ele começa a queixar-se que desde que o puto nasceu nunca mais pinaram decentemente… “É tudo a correr e ela anda sempre cansada!” [snif, snif, vai mais uma caneca de cerveja para o bucho!]
Nunca mais vão ao cinema.
Os jantares românticos vão envolver biberões [em vez de velas] e sogras [em vez de maîtres].
Os Natais terão de ser divididos entre duas famílias e os presentes recebidos vêm em nome dos dois – e, estranhamente passam a ser para nenhum deles: são “para a casa”. [Olha, sabes que mais? BARDAMERDA! Sabes onde é que podes enfiar o salazar*?]
São as depressões pré e pós-parto, as estrias, as celulites… [Se eu quiser celulite e estrias e tudo isso, como chocolates. E os chocolates não me sugam o leite nem a paciência, nem choram de madrugada, nem me rasgam para sair de dentro de mim – não, este último ponto não é discutível…]
E os momentos de luxúria? “Oh querida, porque não pões aquela lingerie que sabes que eu adoro ver?”. Resposta: “Olha, meu caro buda, porque desde que emprenhei do TEU filho, engordei dezoito quilos. Essa lingerie era o S e eu estou a usar um tamanho com mais “X” que os teus filmes porno!! É por isso, meu querido!! Já para não falar que as minhas maminhas outrora rijinhas e suculentas agora são dois funis [doridos de leite UHT] que me dão pela cintura…”
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Por um minuto fartei-me de rir com a maldade. Deleitei-me e regozijei com a desgraça alheia, mas depois senti um aperto [e juro que não era da roupa interior…]. Toda eu fui amofinação.
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[Vou ligar aos meus amigos e mostrar-me solidária com o sofrimento deles.]
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*Referência mais-que-explícita ao post já aqui abaixo…
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