Dizem que os opostos se atraem! Isso é treta... Isso é só nas leis da física. Nas leis do físico e do intelecto as pessoas sentem-se atraídas por quem é suficientemente diferente para ser exótico mas suficientemente alike para ser sintónico.
Sentimo-nos atraídos pela pessoa que mais se parece com o homem ou mulher que seríamos se fôssemos do sexo oposto: sentimos admiração por alguém, pela sua perspicácia, inteligência, pelo look ou sentido de humor, pelo modo como encara a vida e os desafios, pela assertividade ou resiliência, pelos pormenores que o tornam distinto… e desde que tenha em comum um qualquer ponto, que pode passar por uma atracção física ou anímica (ou ambas).
Conseguimos, portanto, definir um conjunto de características que nos agradam: "se eu fosse homem cozinhava bem como o Sr. A; lia 5 livros por mês como o Sr. B; era um bon vivant como o Sr. C;" (e podia continuar a usar o restante alfabeto e enumerar mais vinte e três características).
Sentimo-nos, assim, atraídas pelas virtudes que gostaríamos de ostentar se fôssemos do outro sexo. A questão que se põe é que raramente somos aquilo que gostaríamos. Assim, a proximidade que se obtém entre os dois é a soma entre o que o outro é e o que eu gostava de ser – e isto não chega. Baseia-se num facto somado a uma ficção o que torna frustrante o tentar imaginar ou viver as emoções através do par, porque não podemos ou não temos coragem para as viver nós mesmas. É a vulnerabilidade individual que faz com que estejamos constantemente no limbo entre (e retiremos o melhor d') o nosso mundo e as nossas vontades, entre o eu que procuro e o tu que julgo seres.






