4 de novembro de 2008

rimmel

Trago o rimmel esborratado de todas as horas que passáramos a dançar e a rir.
Quando saímos juntas fazemos sempre asneira: abusamos no álcool, deixamos uns tipos aproximarem-se de nós e subornarem-nos com bebidas e usamos os nossos “alias”.

Ainda fazemos isto tal como quando tínhamos 18 anos e começámos a sair sem os tios chatos, sem as horas marcadas. Não achas que já tens idade para ter juízo?

Agora, passados tantos anos, estás noiva?

Eu devia ter desconfiado quando recebi este convite para sair. “Nós as duas, como nos bons velhos tempos!”, dizia a SMS!

Quando anunciaste que querias casar fiquei assustada: um tipo da night, a quem [em tempos] deras o teu nome falso e um número de telefone inventado? O gajo só podia ser estúpido em querer casar com a miss independence!

Foste-o, pelo menos, até ao dia em que te deixaste apanhar pelas malhas da paixão. Não tínhamos combinado que não nos íamos deixar arrebatar no matter what?? Quantas vezes nos prometemos eternamente solteiras até aos 35? Não era necessário despachares o assunto assim…

Ao contrário do que possa parecer estou muito feliz por ti, cabra. Não acredito propriamente na instituição “casamento”, mas acredito no desejo de ambos partilharem o vosso love com as famílias e os amigos.

E lá está, será eterno enquanto durar. É assim que faz sentido e é só assim que concebo as uniões.

Ainda temos, tu e eu, um fim-de-semana de reflexão juntas. Já daqui a uns dias vamos fazer uma escapadela à moda antiga. Foste tu que pediste e marcaste o weekend. Queres despedir-te de mim properly, certo? “De mim” como sinónimo da vida de solteira, da vida de mulher descomprometida e tonta. Despedir-te dos não-compromissos. Bem, talvez eu esteja a levar isto demasiado a sério por causa da minha gamofobia [J medo do casamento].

Estou feliz por ti, por vocês.

Talvez esteja triste por mim, por não viver iludida e feliz, com a ideia de ver a vida sentimental resolvida [e, portanto, fechada e-não-se-pensa-mais-nisso] e assim poder dedicar-me a outra coisa qualquer.

Merda, acho que vou chorar…

Agora o rimmel está a desvanecer-se totalmente e escorrem-me lágrimas pretas. Não me apetece de chorar, nem que seja assim, por bons motivos.

Este rimmel é tão resistente à água como tu às paixões.

(“Water resistant” my ass)!

1 de novembro de 2008

faz frio aqui onde me levanto

Hoje faz frio. O Outono que tanto esperava finalmente apareceu!
Quando acordei ainda havia brasas na lareira. Fiz o que sempre faço. Abri a porta morna da lareira e brinquei com o fogo.
Fico assim, letárgica, durante uma hora ou isso, a absorver o calor que resta naquelas brasas. Adoro acordar, descer (descalça e arrepiada) as escadas, fechar-me na sala e derreter-me em frente à lareira.

É um bom ritual. Acompanha-me um chá. Invariavelmente, um chá. Apoio o PC nos joelhos e encosto-me no sofá a escrever aquilo que se vai passando comigo.
Como sou sempre a primeira a acordar (mesmo quando - ou especialmente quando - tenho visitas) tenho tempo suficiente para escrever, passar revista à madrugada e juntar os meus pozinhos de perlimpimpim mentais. Adornar. Limar.

Aproveito e vejo uns desenhos animados destes actuais que não me dizem nada mas que têm sonoridades estranhas q.b. para manter o cérebro desperto, sem desviar a atenção. É o ruído necessário para evitar o silêncio.
Depois da escrita, o banho. Inevitavelmente, o banho. Escrever depois do banho seria perder a acuidade que finjo.

O banho leva-me (lava-me) as ideias, faz um reset emocional. Se, depois do banho, mantiver os sentimentos no sítio, se continuar com vontade de voltar para a cama, aninhar-me no calor e embrenhar-me nos sonhos de quem lá dorme, quer dizer que estou metida nisto com sentimentos. Bolas, não vinha nada a calhar!

É bom o sábado de manhã aqui. Volto lá acima e corro por todas as divisões inabitadas, carregando nos interruptores dos estores. Com a arte de uma atleta estúpida consigo pô-los todos a subir ao mesmo tempo.

Fico a meio, no topo das escadas, a apreciar o sol a nascer cá em casa. Só agora é oficialmente dia.

29 de outubro de 2008

chocolate

Quero chocolate.
Preciso de chocolate.
O meu único grande vício (declarado)!
Hoje preciso de devorar tudo o que saiba, nem que levemente, a cacau! Quero tudo:
Chocapic, Cola-Cao, Conguitos, Twix, Bombocas, Topping, chocolate de culinária, cacau em todas as percentagens, com frutos secos ou molhados, com champagne, com malagueta, quero Oreo, Chipmix, quero Nutella, quero Maltesers, Snickers, Bounty, Cadbury's, After Eight, M&M, KitKat, Crunch.

Acho que acabo de ficar mal-disposta com tanto chocolate...
Agora só comia um salamezinho de chocolate, para desenjoar!

sorrio

O dia útil começa lá fora mas como estamos juntos não consigo descolar-me do seu corpo; o sol já nasceu há horas e a minha preguiça pede-me para ficar imóvel outro minuto; vou buscar mais um pouco do seu calor – visto-me com o corpo dele. Assim, agasalhada, a sua pele é-me tão familiar. Confundo-a com a minha.

Perco a noção do tempo. Um minuto fez-se uma hora. Cada vez que se mexe deixo que um olho acorde sozinho e o espreite, garantindo que está bem.

Não resisto. Fico assente no seu sono imperturbável, na sua paz aparente e sinto a vontade (quase) incontrolável de o acordar, esgotar, sorver.

Por momentos esqueço o tantra e penso em abusar dele até soarem os alarmes sensoriais. O shiva e o shakti que se lixem! Que arda no meu prazer o livro do Imperador Amarelo! Sinto o impulso para a comunhão – the urge to merge.

E depois desta quimera olho-o e vejo-o dormir descansado. Toda esta paz, esta calma amansam a minha sede [ou fome]. Inspiro-o. Cheiro-o. Agarro-me a ele como se em breve ficássemos separados por meio oceano. Inspiro-o. Cheiro-o. Não quero saber de mais nada senão dele, agora. Não vou sentir fome nem frio nem desconforto nem medo nem embaraço nem nada. Só isto. Vou deixar-me ir nos seus dedos, vou percorrer o seu corpo e esticar o tempo a meu bel-prazer. Vou beijá-lo. Não resisto e sorrio ao beijá-lo. É mais forte que eu, mas a minha felicidade aparece-me primeiro na boca. Sorrio.

Quando não está a reparar fixo-me nele. Vou fechando os olhos e verificando quão aproximada está a imagem real da mental. Faço uns ajustes e sorrio. Sou mesmo pateta. Mas gosto. Gosto de ser assim, de o esboçar na cabeça para ter a certeza que sou fiel aos cinco sentidos. A pele é aquela e não outra. O cabelo escrupulosamente alinhado. O cheiro é aquele, e aquele cheiro é meu. Fui eu que o cheirei, já o inspirei, é meu! O seu beijo traz água [no bico]. E o seu som… nenhum. Silêncio. No meio das inspirações curtas, destaca-se uma ou outra profunda e preparo-me para registar a expiração doce. [Já está!].

Inspiro-o. Cheiro-o. Guardo-o.

Sorrio. Deixo-o ir. Sorrio.

25 de outubro de 2008

passé composé

No dia em que fomos apresentados (seria o meu futuro colega de trabalho) achei-o logo interessante. Tão interessante quanto é permitido a um tipo de aliança na mão direita.

Menos-mal”, pensei, “Sem compromissos agrada-me mais!”.

Poucos minutos depois falava-me da highschool sweetheart, de como se conheceram, da faculdade que fizeram juntos; até mencionou os planos: juntarem-se daí a dois anos, quando as carreiras de ambos estivessem consolidadas. Tive logo náuseas com aquela história. “Quem pensas tu que enganas? Deves ser fresco, deves!”

O olhar dele percorria-me toda durante vários momentos da conversa, o que me deixou irrequieta e lisonjeada.

Daí a poucos dias passaríamos a ser colegas e eu tinha de me habituar à sua presença constante, pelo que era melhor ser ponderada nos actos (e já agora, refreada nos pensamentos). Começámos por almoçar juntos quando tínhamos projectos comuns mas depressa deixámos de precisar desse tipo de argumento. Divertíamo-nos bastante no trabalho e discutíamos tanto as tarefas em que ambos estávamos envolvidos como aquelas que desenvolvíamos individualmente.

Creio que comecei a apaixonar-me por ele; creio que começou a apaixonar-se por mim. Deixámos a situação evoluir sem falarmos – nem que levemente – em assuntos comprometedores.

Como andámos a cortejar-nos mutuamente desde os primeiros dias, não tenho exactamente a certeza de onde e quando houve o “clique”; sei que um comentário levou a outro e em pouco tempo ficámos cientes do desejo que partilhávamos. Ambos “comprometidos” (oh God, como odeio esta palavra!) e a saborear alguma insatisfação a isso associada, o que aí vinha não foi inesperado.

Um dia estávamos a trabalhar juntos, fora de horas, e pedi-lhe que ficasse mais um pouco, pois precisava da sua ajuda. Sugeri que fechasse a porta do escritório. Percebeu de imediato o que vinha nas entrelinhas e isso ficou visível na sua face, subitamente sorridente. Baixou a cabeça e agitou-a de um lado para o outro, com os olhos fechados. Pensaria "No que é que me estou a meter?", como eu? Foi a primeira vez que nos beijámos. Entre beijos virou-me de costas para ele, encostou-me à parede e soltou-me o cabelo, cheirando-mo. Não houve nada de bruto, de sôfrego. Pelo contrário, íamos como que pedindo licença para fazer investidas, pequenas conquistas, ainda que fizesse questão de mostrar que me dominava, agarrando o meu cabelo com veemência. Os beijos eram longos, num estilo adolescente, daqueles que se apaixonam de verdade, e para sempre.





Entretanto, e passados sete meses, deixámos de ser colegas.





Havia passado muito tempo desde o meu último affair, exactamente com ele, o que me levava a crer que já não me lembraria do que era flirtar, do que se fazia ou dizia. Fui, como combinado, ter ao bar do momento, deixando-o previamente avisado: “tenho outro assunto pendente, marcado exactamente para a mesma hora”, o que me permitiria desaparecer em caso de pânico, seca ou outra hecatombe.

O meu vestido era perfeito: o corte "olha-para-mim-sou-a-mulher-mais-apetecível-deste-spot"e a cor, azul-petróleo, revelavam sobriedade e pureza – exactamente o oposto das minhas expectativas ébrias e lascivas.

No cumprimento fomos demasiado formais, o que não traduzia o conhecimento íntimo que mantivéramos três anos atrás, no escritório; mais que isso, não era denunciável que andássemos a trocar telefonemas e mensagens quentes há quase dois meses, a partir daquele contacto profissional que ele não pudera delegar e a que eu não resistira atender.

Desde então não havíamos combinado o encontro por culpa minha, que acreditava que já não sabia namorar. A história do cortejo e dos rituais de acasalamento parecia-me tão longínqua como o Alasca.

Quando cheguei tive dificuldade em reconhecê-lo. Imaginei que cairia para o lado, que coraria, que não teria reacção. Pensara muito nele desde que tínhamos seguido caminhos profissionais distintos, o que aguçara a minha curiosidade em saber que efeitos tinham tido nele o casamento e a paternidade, etapas que fez questão de mencionar no tal telefonema "profissional" que nos fizera entrar de novo em contacto. Imaginei-o, portanto, mais maduro e mais doce – um pai.

Quem encontrei foi um tipo diferente do meu ex-colega/ex-amante. Não era sequer parecido. As memórias que fui construindo foram muito benevolentes, favoreciam-no muito e a realidade fora bastante menos aprazível.

A vida de casado assentava-lhe bem, ainda assim; o papel de pai também, provavelmente, mas ser "a outra" deste tipo não era para mim. Este não era o meu filme. No way!

Percebemos imediatamente que os desejos relativamente ao outro haviam sido corrompidos pelo tempo, defraudados pelas recordações. Ele procurava um escape e eu um tipo que já não existia. As altas expectativas cultivadas durante os recentes contactos (carregados de desejo) via telemóvel não deixaram realçar as nossas muitas divergências. Até aquele momento.

“Continuas igual”, disse-me. “Pois continuo. E ainda bem”, pensei.

Conseguimos tomar o nosso café, não tive que usar nenhuma desculpa para fugir e acabei por lhe dizer que durante o tempo de amantes me deixara louca, tendo ponderado a hipótese de deixar o meu então (e agora) namorado, mas que essas circunstâncias tinham ficado no passado, e no presente nenhum de nós fazia sentido na vida do outro.

Ainda assim foi um bom momento, este o do reencontro. O meu vestido passou a ser apenas mais um vestido azul-petróleo com um óptimo corte.

Quando nos despedimos – naquele abraço demorado – deixámos no outro um “até sempre” que foi, na verdade (e conscientemente) um “até nunca”.

18 de outubro de 2008

hoje é o dia

De luzes apagadas, fico a ressacar. Noutro dia qualquer estaria a preparar-me para sair, para ir jantar fora.

Não hoje.

Hoje estou a fingir-me acompanhada. O rádio e a tv trazem-me ruído. O telemóvel e o computador ligam-me a toda a gente menos a ti. Estou habituada ao teu som, mas é este que tenho agora. (Chama-se silêncio, apesar de tudo).

Não consegui chorar senão hoje. De tristeza ou alívio ou felicidade ou sei lá. Nada o faria prever e eu estava desarmada – amorfa e desprovida de defesas. Na cama, sem que desse conta, duas lágrimas quentes e doridas caíram. Trouxeram com elas o choro convulsivo, as muitas inspirações curtas e as expirações largas e vocalizadas. Eram só sentidas, não magoadas.

Não consigo homenagear-te de modo justo. Não há palavras para te definir, para te mostrar quão melhor sou por tua causa.

Agora vou fingir pesar quando sinto felicidade e gratidão?


O que para ti foi um fim, para mim foi um suspiro. O que para ti foi um acumular, para mim foi um libertar. (Não de ti, não sejas palerma. Tens a mania de te vitimizares. Não o faças. Pelo menos não hoje, que te ouço na cabeça).

Estou feliz e serena e triste e irritada. Estou cheia de certezas quanto aos devaneios, mas continuo sem projectar e sem vontade de o fazer. Estou calma e sorridente porque ignoro o que me espera nas noites e dias e noites e dias de inquietação, de estranheza, de solidão.

E, no entanto, não consigo ficar triste. Sei que é o esperado, o “normal”…

Só consigo sentir irritabilidade, algum descontrolo, impulsividade... que são sentimentos carregados de energia, por definição! E a minha energia uso-a como bem me aprouver!

Agora vou viver o meu luto. À minha maneira homenagear-te-ei. Sempre. Porque sou melhor agora. Conheço-me melhor agora.

Sou mais eu assim, sem ti.

14 de outubro de 2008

easy on me (dear diary)

O sentimento de abandono deve ser das piores merdas "sentíveis". Há-que saber atirar a toalha ao chão e reconhecer-se que as coisas são assim, mas continua a ser doloroso.

O meu problema é com as fantasias que estão sempre um passo à frente! Romantizo, deixo-me ir, flutuo. E, no final, um adeus despegado e frio é-me completamente estranho, ainda que defenda sexo pelo sexo e o amor pelo amor. Uma coisa é o que raciocino, outra é o que sinto. (Bolas!)

Os corpos a darem-se a conhecer, a adaptar-se um ao outro, a enrolarem-se, as posturas do sono, o calor produzido por cada um… e o calor produzido pelos dois. O acordar várias vezes só para deixar mais um beijo marcado na outra pele, mais uma carícia, um novo aperto, um aconchego. Inspirar para gravar o cheiro na memória.

Só de pensar no início da noite, aqui em casa, sinto borboletas no estômago. Ao pensar na manhã seguinte sinto-me diferente. Algo se perdeu. E que diferença faz!

As despedidas são para ser vividas como se aquela vez tivesse sido a última – e, na verdade, é-o tantas vezes…!


Bem, no limite valeu para acabar com a tensão latente e agora podemos voltar às nossas vidas, descansados. (Não sei se me serve de consolo, mas terá de servir para alguma coisa - uma lição, seguramente!).

Voltanto atrás fazia tudo outra vez. E daí, talvez não deixasse o telemóvel na mesa de cabeceira...

10 de outubro de 2008

piropo

Cenário:
uma gaja a atravessar a estrada; um tipo a passar de carro, apita e diz: "princeeeeeeesa".

Dúvida:
Será que algum homem crê que vai engatar uma gaja apitando-lhe e atirando piropos?



Pois, está-se mesmo a ver:

- Eh, Princeeeeeeeesa!

- Olá, grandalhão!! O meu nome é Tatiana e está aqui o meu número de telefone. Acabo de ficar louca de desejo por ti. Nunca ninguém me tinha chamado princesa dessa maneira, com o palito no canto da boca e tudo. Liga-me, ok? Mas liga mesmo porque eu vou ficar, em lingerie, à espera do teu telefonema.


Caros amigos, expressões como “oh jóia”, “oh xuxa”, “comia-te toda”, "boazona", "g'anda lasca" e outras (que agora me escapam) servem de repelente!

Mas a explicação para um gajo se armar em engraçadinho está, normalmente, no facto de fazer estas figuras quando está em frente aos amigos.
Assim sim, já temos um contexto e a atitude torna-se compreensível. O dorso prateado está apenas a querer mostrar aos outros machos quem é dominante! Sim, porque a cena dos duelos e das manifestações de força estão ultrapassados!

Agora as "gaijas" querem é homens mais sensíveis, inteligentes, com quem possam falar, homens que usem a cabeça, que sejam intelectualmente desafiantes. E que desafios poderão ser esses, perguntam vocês? Jogar Sudoku no Destak? Ler os clássicos?
Deixem-se disso!! As “bocas” à desgarrada são a única solução: s
ó assim se consegue averiguar, sem margem para dúvidas, quem é o gajo mais digno de ser falado à hora do almoço do dia seguinte. Fantástico...

Lindo lindo é quando uma mulher se vira para um destes galarós e responde:

- Vá, Tarzan. Sai lá da Renault Express e mostra lá esses 30cm de rijeza. Vamos lá mandar uma valente foda ali no beco, mas despacha-te porque ainda tenho que ir almoçar.

Acreditem que a resposta é invariavelmente algo como: “Oh sua badalhoca, eu sou casado, pah!”

Perguntaste-me se estava bem disposta. "Sim", respondi instintivamente. Só me convenci da resposta quando me deste a mão e toda eu fui desejo. Soube, ali, que era tua. Só pensava na tua boca.

Apaguei a tv.

Comecei a desapertar-te a camisa e a sentir-me quente. Parei, inspirei e deixei-me encaminhar pelos sentidos. “Cheiras a céu”, pensei.
Fiz a tua pele deslizar sob os meus dedos sôfregos. Tremi e contraí-me.

Deixei o meu corpo aproximar-se do teu aos poucos, hipnotizado pelos beijos quentes e carinhosos. Fazia sentido. Tudo fazia sentido. Naquele silêncio a tua respiração começou a marcar o ritmo do meu corpo. Com as minhas mãos entrelaçadas nas tuas senti-me flutuar. (Gosto de ficar assim, amarrada a ti pelos dedos).

Sem mapa descobriste cada centímetro de pele, levando demasiado tempo, o suficiente para me deixares descontrolada. A cada beijo a minha boca perdia as referências e seguia-te cegamente, deixando que a mordesses e lambesses sem decoro.

Quando as respirações encontraram a cadência uma da outra deixei o teu corpo tomar conta do meu.

De olhos fechados fingi que eras só meu. Senti as tuas mãos de fogo a percorrerem-me o corpo provocando ondas de arrepios. Quando te abracei senti a cabeça cair instintivamente para trás e os olhos a não aguentarem ficar abertos – eu estava a amar-te. Permanecemos assim até estarmos exaustos e imóveis.

Encostada ao teu ombro, ensonada e feliz, vi o teu olhar pousado num ponto, absorto. Continuei a olhar-te crente que ia conseguir adivinhar o que pensavas. Acabei por adormecer.

7 de outubro de 2008

os príncipes e os sapos



A andar por aí tropecei neste post que me deixou intrigada. Pergunta assim: o teu marido casava outra vez contigo?

Olhei para isto e pus-me a pensar...
...mas foram só quatro segundos debruçada sobre o tema e entretanto fui almoçar.


Depois do almoço, a ver um DVD ja meio riscado voltei a pensar nisso (porque de barriga cheia parece que resulta melhor). E quando penso a segunda vez no mesmo assunto, toca o alarme: "tu queres ver que vou ter de reflectir realmente sobre um tema? Já uma pessoa não pode ver o Serendipity pela trigésima sexta vez em paz?"

Retomando a pergunta, mas extrapolando a parte do marido e do casamento (de que fujo como o Diabo da cruz!) e virando a questão para o meu umbigo... será que eu fazia tudo outra vez? Que "casava" com quem fui "casando?
Terei dado as oportunidades certas a mim e aos outros?
Voltaria a passar pelas mesmas camas, pelas mesmas peles, teria encarado os compromissos da mesma forma?


Terei andado atenta ou será que quando o príncipe encantado apareceu eu estava no charco a beijar sapos?

Creio que com a possibilidade de voltar atrás, não por arrependimento, mas por curiosidade, indagava mais. Entregava-me mais aos impulsos e menos aos padrões e aos olhos inquisidores. Com menos medos, com menos certezas, que resultariam em mais picos de felicidade e nos respectivos picos de angústia.


Era, no entanto, uma forma de experimentar não ser eu.

5 de outubro de 2008

favores em cadeia

Devia haver um banco de voluntariado de sexo. Tipo... "caridade", mas sem o ser.



A ideia é simples: adaptando o conceito do filme Pay it Forward (em português, Favores em Cadeia), cada pessoa praticaria "o Bem" (ou o "bem-bom"!) a três pessoas à escolha. Por sua vez essas três pessoas levariam "o bem" a outras três, e assim faziam crescer exponencialmente a satisfação sexual no país e podia até acontecer que as invejosas e os atadinhos tivessem sorte, saíssem na rifa de alguém, e deixassem de ser como são!





Cada vez mais acho que podia ser uma benfeitora destas, uma quecadora altruísta, pelo bem da nação, do mundo!



E já pensei na minha parte: já escolhi os três amigos (ou eles é que me escolheram a mim?) nitidamente a querer umas boas noites (tardes, manhãs) de sexo puro e duro:


Um tem namorada assumida, fixa, está com a corda ao pescoço e aquilo já deve ter perdido a piada há muito tempo! Tivemos os nossos encontros fortuitos e da última vez que saímos juntos, em grupo, acabou por me dizer que ainda tem "unfinished business" comigo. Disse-me que quando eu quiser tomar um café (leia-se "café com... natas"), é só ligar-lhe e marcamos uma escapadela!!!


Outro, vai tendo algumas miúdas, é bom todos os dias, conheço-o há pouco tempo, e no entanto, apesar de saber que sou "comprometida", anda sempre a rondar, a ver se lhe atiro uma escada!


Outro ainda está engajado com uma quasi-tripeira (que anda há meses a dar a "última oportunidade" ao actual namorado). Acontece que, para além desta miúda em banho-maria, este homem tem uma lista internacional de quecadoras de serviço... é assustador! E, no entanto, excitante!



O mau - péssimo - nisto tudo é que os meus pais fizeram um trabalho do caneco e tenho uma consciência que pesa toneladas mesmo com ZERO actos!; é que pesa p'ra caraças e são só pensamentos...
Tenho inibições psíquicas que não correspondem à libertinagem física que gostaria de atingir.



Tenho que trabalhar mais neste assunto!!!


menage a quatre

Não sei em que medida prefiro ser solteira ou amantizada.
É-me extremamente penoso ser fiel, mas ser "sozinha", provavelmente, custa-me mais.
Principalmente agora, passados anos, em que a minha relação actual é tida como perenemente garantida para toda a gente à minha volta... menos para mim.
Agora apetecia-me era acabar com os constrangimentos e deixar o meu corpo fluir pela energia que recebo de alguns tipos. Explorá-los. Saber o que me excita, o que me atrai em cada um deles.
Um é o pai/marido que sempre quis. Moldável, solícito, insaciável, inteligente. Bons genes, portanto.
Outro é exótico, esbelto, inteligente. Mais genes cheios de categoria.
Mas nenhum como este: é frágil, mas durão. Dá vontade de abraçar e cuidar. Dizer-lhe "no pasa nada", que tudo vai correr bem, que não precisa de se defender do mundo. Este tem genes de excelência.
O melhor de tudo é que não quero os genes deles pra nada.
Só quero sentir-me saciada. E quero saber discernir a fantasia da realidade, as realidades efémeras das perenes. Ainda que não saiba se alguma delas me preenche.
Que confusão.
Acho que vou começar a descobrir isso hoje...
Será?

30 de setembro de 2008

flirtar

A arte de flirtar é algo que nunca dominarei.

E não digo isto com o mínimo de angústia: prefiro deixar-me levar, construir a dois, do que dominar e pôr em prática um “modelo”.

Creio que o processo que leva à aproximação de duas pessoas é… estimulante.

Conhecem-se, aproximam-se, fazem concessões; discutem, trocam informação, baixam as guardas. (Estou a ser o mais clara possível para saberes que estou a falar de ti).

Ambos sabemos que andamos a apalpar terreno e sabemos que isto… é o que é e nada mais.

Com prazos pela frente e dois feitios complicados, muitíssimas agravantes fazem com que eu me reprima nalgumas coisas.

Voltemos ao flirt.

Gosto do jogo do gato e do rato, das palavras com dois sentidos, da maneira como tudo é dito até um limite e as interpretações ficam na consciência de cada um. Gosto disto contigo. Não é algo que costume fazer. Creio que costumo ser mais “directa”, menos encantada.

Por agora ando extasiada, maravilhada, atraída, cativada, encantada contigo. Principalmente por não me caíres nos braços com facilidade. A tua luta aguça a minha vontade. O teu afastamento e aproximação q.b. potenciam o meu desejo.

Tenho fantasiado inúmeras cenas, umas corriqueiras, outras mais tórridas, em que és personagem principal. Tenho pensado muito em ti, em quem és, no sabor que terás. Quero ficar a escutar-te horas a fio, quero ver-te sentado, a fumar, no largo parapeito da minha janela antiga, com cornucópias de fumo a saírem-te pela boca. Quero fotografar-te a dormir, quero beijar-te para que acordes, quero fazer amor contigo de manhãzinha e ouvir-te gemer discretamente como, aliás, parece ser teu apanágio em tudo.

Quero conhecer-te e saber o que pensas sem que o digas. Quero perceber as tuas manias e os teus caprichos. Quero jantar contigo, beber contigo, namorar contigo, passear contigo. Quero dar-te a mão na rua e beijar-te sem motivo, como os garotos.

Quero que partas com esta recordação minha. Que me guardes num cantinho novo, livre de jornalistas.

28 de setembro de 2008

pedaços de ti

Lembro-me daquele dia, em que ainda ninguém sabia que "namorávamos" – nem nós!

Fomos para tua casa; reconheço que estava cheia de vontade de te ter, de te conhecer. Nem acredito que já passaram anos...

Gostei do modo como me puseste à-vontade; como te puseste à-vontade. Adorei ver-te de jeans com umas pequenas dobras no fundo, em tronco nu, de pés descalços. O teu peito esguio e aveludado estava a deixar-me excitada. Nunca tínhamos estado assim, à beira de nos amarmos. Lembro-me desse sentimento, da inquietude, das borboletas na barriga.

Creio que para criar ambiente, ou simplesmente por estares nervoso, fomos ver os teus álbuns de fotos. Dos clássicos nus, às divertidas festas de aniversário ou férias em família, era o teu sorriso, a tua felicidade que sobressaía.

Sentada ao teu lado, via como recordavas os momentos em que tinhas os teus pais juntos e venturosos. Sorrias com as memórias, e eu sorria contigo. Encostada ao teu peito cheirava-to e beijava-to de vez em quando. Enrolava os dedos nos teus cabelos grossos e encaracolados, sempre despenteados, e respeitando o teu momento de partilha anímica, reprimi o desejo que me arremetia para cima de ti, querendo arrancar-te as calças.

Senti-me embrenhada na tua vida e na tua família e soube, num vislumbre, que nunca mais te deixaria ir de dentro de mim. Guardei o teu cheiro para sempre, guardei a tua saliva, guardei as tuas mãos, guardei a pele das nossas barrigas a colar, guardei os teus gestos, a maneira de ajeitares os óculos quando estavas nervoso.

Da massagem, do banho e da madrugada seguintes armazeno as melhores memórias. Ficaste a ver-me da janela da sala enquanto eu partia e soubemos os dois que tinha sido a primeira e a última vez.

Não estava planeado apaixonar-me por um amante.

24 de setembro de 2008

gourmet

-Descalça-te e vem. Vem assim mesmo – disse eu, enquanto lançava as sandálias pelo ar. – Despes-te aqui.

Reclinei-me na cama e comecei a desabotoar, devagarinho, a camisa branca que todo o dia me espartilhara.

-Espera – disse ele – vou à cozinha.

Ouvi os pés descalços a percorrer o mármore frio e a porta do frigorífico a ser aberta. Quando chegou à porta do meu quarto já não trazia camisa. Apenas as calças de pinças que, assim sem o resto do fato, me fez lembrar um ardina. Sorri um pouco, com a ideia. Ele achou o sorriso elogioso e eu não o desmenti.

Trazia consigo todos os toppings que havia encontrado: chocolate, caramelo e morango. Eu tinha-me mantido imóvel, lânguida, estendida na cama à sua espera. Os meus últimos botões foram por ele desapertados e o meu farto soutien desapareceu com a habilidade acrobática de uma só mão. Segurou-me contra ele e senti o bater do seu coração.

Afastei-me um pouco e abri a boca, com a língua de fora, a pedir topping.

-Chocolate!, óptima escolha...

19 de setembro de 2008

um homem

Sinto-me profundamente atraída por homens inteligentes. Daqueles que não deixam que lhes dê a volta. (Estou agora a lembrar-me de um...)
Hoje quando o vi vibrei. Cheirei-o naquele microssegundo que demora um cumprimento. Cheira a sonho. Acho que toda eu sorria. Parecia catraia, mas só me apetecia cantar, abraçá-lo, dar-lhe beijinhos no nariz pequerrucho, na testa alta, só queria revolver-lhe os fios de cabelo de ouro. São especiais.
Ele é especial.
É o homem que tenho vontade de ter ao meu lado hoje. Calmo, tranquilo, extremamente inteligente, um poço de ironia, e frágil q.b.. Não o mostra muito, mas é frágil! Não é homem que chore a ver filmes, mas é do tipo que oferece uma flor por motivo nenhum, que gosta de ouvir o que tenho para dizer. É do meu tipo, este tipo que não é meu.





"Já tens as coordenadas! Anda ter comigo. Vamos calçar meias grossas, correr aqui por casa e deslizar no soalho! Anda comer pipocas no sofá, com as pernas enroscadas, a ver séries da treta na tv. Anda."

11 de setembro de 2008

Feminismo

Este é um tema tramado.

Dou por mim muitas vezes a ser uma machista acérrima, o que me assusta. Gosto tanto da minha condição de muchacha que não me vejo a querer ter os direitos dos gajos! Senão vejamos: se eu fizer merda desculpam-me porque sou gaja; a conduzir, posso infringir o código de fio a pavio, porque o Sr. Agente – antes de mandar encostar – já percebeu que não se pode pedir mais de uma indefesa, fofinha e (portanto) vulnerável mulher!


Já um homem... bem... um homem não chora, um homem é forte;

Um homem não é romântico, é prático;

Trabalha para trazer a comidinha para casa (go get'em tiger!);

O homem pede a conta – e já agora paga-a;

O homem defende a honra à pancada;

Um homem não liga a pormenores sem importância.

(Sim, esta é uma visão muito fechada do que é ser "homem"; estou só a marcar uma posição).


E cada vez mais me apercebo de quão "macha" sou!! Não comecem já a pensar em "macha" como sinónimo de "mulher macho" – pelo contrário. Sou uma chica-esperta armada em independente que traz o próprio sustento para casa, paga as contas das saídas e jantares em dupla, e para quem sexo é sexo, mesmo com snuggles e smoochies.

Sexo é "toma-la-disto-gostei-muito-de-te-conhecer-e-encontamo-nos-por-aí". (Foi informação acessória, eu sei).

Voltando ao ser macha: não percebo porque é que as feministas defendem coisas como o dever de manter as pilosidades todas que Deus (ou a descendência do macaco) nos deu! Por que raio gostaria eu de ser peluda?

Ok, o meu professor de faculdade Eduardo argumentaria que o machismo já está tão instituído que eu tenho como minhas opções estas ideias que, no fundo, são ditames da sociedade…

Não me venham com tretas!

Não gosto de pêlos porque os acho feios. E fazem calor (sim, calor!). E se eu tenho direito de os deixar crescer, também tenho direito de os eliminar.


E já agora, porque é que são as feministas as menos femininas?

Men, até a Eva, nas representações mais arcaicas é uma gaja toda sexy. (Lá vem o Prof. Eduardo dizer que o conceito de “feminino” também foi padronizado e blá blá blá).

Certo, mas tenho um argumento que, creio, fecha a discussão: quando uma gaja se olha ao espelho e se acha boa, ela acha-se boa para si mesma. Não é gira para os outros. É para si mesma.

No extremo, quando ela se vê nua ao espelho e a sua libido dispara (foi bom o eufemismo – assim escuso de dizer que se olha ao espelho e começa logo a tocar-se) quer dizer que a necessidade de agradar ao outro – completamente natural – não se sobrepõe à vontade de se agradar a si mesma. (Ok, e também quer dizer que a miúda sofre de um caso clássico de narcisismo).


Como o slogan de uma marca dizia "Se eu não gostar de mim, quem gostará?" e mais recentemente foi alterado para "Se eu gostar de mim, quem não gostará?".

A questão do feminismo, tanto quanto consigo raciocinar, reside aí. Na auto-estima e no modo como isso transparece. Naquilo que sou independentemente de agradar ou não aos outros.

Se agradar, tanto melhor. Se não, kiss my ass!

Por isso é que há quem diga que o feminismo só é defendido por mulheres feias!

Faz-me rir, sabendo que não é verdade, mas esfrego as mãos... e rio-me diabolicamente ao pensar que sim.


Snuggles e smoochies 4u all

8 de setembro de 2008

Bombocas!!!

Quem não se lembra das bombocas?

Hoje, a passear por alguns blogs, dei de caras com a foto de uma bomboca!






Sim, destas!!!! Das que fazem crescer água na boca! Aquelas doçuras que me fazem lembrar a infância!
Adoro bombocas. Presumo que ainda adore, porque já não como há, no mínimo, duas décadas!!



As bombocas vinham em caixas plásticas de seis unidades, como as dos ovos! Gostava especialmente das de morango. As mais doces, as mais enjoativas, as MELHORES!
Puxa, que falta me fizeram as bombocas! Um amigo meu disse-me um dia: "imagina uma pessoa que não vês há meses, há anos, e nem um dia pensaste nela. Um dia reencontra-la inadvertidamente e tens noção da falta imensa e sincera que ela te fez."
Pois é basicamente esse o sentimento que tenho em relação à bomboca. Só agora, passados vinte anos, vejo a falta que me tem feito. Podia ter sido minha parceira quando os meus amores me corriam mal, podia ser usada para comemorar um dia especial. Imagino-a com uma vela ao centro, para alegrar uma amiga, na comemoração do primeiro mês sem o crápula do ex-namorado...



E comer uma bomboca é algo de especial: Tem aquela cobertura crocante, o recheio cremoso de bolhinhas de ar, e uma bolacha redondinha de baunilha que sustenta aquela obra-prima da doçaria. Muitas vezes, dá-se apenas uma dentada no topo, e vai-se lambendo o recheio. Mais uma trinca, mais umas lambidelas. Pequenas, para fazer render a pequena bomboca. E no fundo chega-se à bolachinha deliciosa, que nos vai avisando: "olha que está a acabar...".

Que momentos de requinte, que doçura de lembranças. Tenho vontade de comer uma bomboca de morango.

Tenho vontade de lamber uma bomboca, de a partilhar com um amigo bomboqueiro. Talvez ele nem conheça as bombocas. Talvez nunca tenha provado nenhuma. Talvez passe a gostar, depois de eu lhe mostrar como se faz. Talvez o seduza graças à bomboca.

Quem diria que, passados estes anos todos, eu encontraria toda uma panóplia de usos para a inocente, deliciosa e adoravelmente enjoativa bomboca?

6 de setembro de 2008

mini saia

  • Eu adoro mini saias. A mãe nem por isso!! Quando saio com ela tenho que trocar a mini saia por uma maxi ou por umas calças. Isto porque eu sou do tipo arejado que gosta de andar descascado! :D E a mãe prefere ter uma filha mais casta do que exposta. É compreensível.


  • Eu tenho por hábito escolher as mini saias ao acaso. Uso-as para sair, ir ao café, à praia e essas tretas. Mas se for ter com algum jeitoso prefiro levar saias mais compridas... digamos... assim pelo joelho!! (às vezes dão-me estes ataques de decência). Seria uma batalha muito renhida ter o cérebro a disputar atenção com as minhas pernas ou as minhas costas.


  • Sou uma miúda armada em chica-esperta, pelo que gosto de pensar (fingir) que sou inteligente e interessante sem mostrar as pernas... e muitas vezes não sou. A verdade é que consigo ser bastante chatinha... mas não nos primeiros encontros! Sou sempre intelectualmente sedutora, isso eu sei. Por isso é que não preciso nem quero ter mini saias ou outros objectos como amuleto quando estou interessada em alguém.


  • Lembro-me agora de um tipo que já me conhece há muito e nunca se sentiu (ou mostrou) minimamente interessado quer pelo meu cérebro, quer pelo meu corpo (e o sentimento sempre foi recíproco). Já me viu de mini saia, de biquini, de jeans e tops provocantes, vestidos vários, sei lá...


  • Mas houve um dia em que, durante um momento, tudo mudou. Estivemos com o grupo habitual de amigos e acabámos por estar mais próximos do que pensáramos ou desejáramos. Uma coisa simples que, colmatada com a minha micro camisa de dormir, despertou nele qualquer coisa - e em mim também. Acabámos por adormecer juntos. Pelo menos creio que ele adormeceu. Eu fiquei ao seu lado a desejar que ele acordasse e me fizesse sonhar. Até essa noite nunca o tinha olhado desta maneira. E ele a mim também não... até me ver as coxas muito pouco tapadas, enquanto eu distraidamente via tv. Depois disso houve ali faísca. Sei que houve. Da próxima vez acho gostaria de levar isto até ao limite e descobrir até onde posso ir. Mas não é isso que vai acontecer. Este episódio é para guardar no baú que diz "What if...?".


  • O nosso momento foi ali. Agora já passou.
  • Súplica


    Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
    E que nele posso navegar sem rumo,
    Não respondas
    Às urgentes perguntas
    Que te fiz.
    Deixa-me ser feliz
    Assim,
    Já tão longe de ti como de mim.

    Perde-se a vida a desejá-la tanto.
    Só soubemos sofrer, enquanto
    O nosso amor
    Durou.
    Mas o tempo passou,
    Há calmaria...
    Não perturbes a paz que me foi dada.
    Ouvir de novo a tua voz seria
    Matar a sede com água salgada.

    Miguel Torga

    Recomeça...

    Recomeça...
    se puderes,
    sem angústia e sem pressa
    e os passos que deres,
    nesse caminho duro do futuro,
    dá-os em liberdade,
    enquanto não alcances não descanses,
    de nenhum fruto queiras só metade.

    Miguel Torga

    3 de setembro de 2008

    Declaração de guerra

    Hoje estou em baixo. Tudo me afecta, sinto-me um caco. Hoje estou deprimida.
    Não queria ser trocada por dinheiro. Não, não fui trocada por uma ricaça. Fui trocada por dinheiro, mesmo! Há quem prefira ter um saco de moedas ao lado do que a mim! Não admira, eu não dou nada a ninguém. Dar? NADA! Trocar ainda pode ser.
    E também niguém me dá nada a mim! Tou farta de ser boazinha e queridinha.
    Quem me tramar, maltratar ou ousar olhar-me de lado está arrumado! Fica prometido. E publicado para eu me obrigar a cumprir!

    30 de agosto de 2008

    Significant others

    Esta noite sonhei com o meu professor Eduardo! Acho que estou a ficar maluca. Tinha a barba por fazer e perguntava-me como estou. "Estou bem, senhor professor! Obrigada. E consigo, tudo bem?"

    Um dia destes encontrei outro tutor meu. Este sempre me arrastou a asa e tentou mimar-me, bajular-me. Queria tentar a sorte dele. Devo dizer que terá mais sorte no Euromilhões do que comigo. Eu é que vou à caça, obrigada!!!

    O meu director também pensa sempre que eu vou querer fechar a porta do gabinete como faz a outra. Não sou como ela. Se bem que o Director seja todo apetecível, não está no intervalo etário que estabeleci. Lamento, Dick!

    Há um jornalista com quem trabalhei durante algum tempo que, apesar de fora da minha faixa etária, a anos-luz da minha geração, é completamente "pinável". Gosto desta palavra. Ele é um bimbo, um nariz-empinado. É, contudo, poderoso. É abastado e abestalhado. Ainda que não precise do dinheiro dele - nem do de ninguém - acho os homens ricos interessantes. Acham-se o máximo e podemos sempre gozar com eles sem que consigam perceber. Estão demasiado centrados neles próprios para se darem conta que eu existo, quanto mais pra reparar que são alvo de chacota...

    Mas há um... (até estou a babar)... há um rapaz da minha rua que também é jornalista. É um puto da minha geração. Trintão. Morenaço. Magro com músculos definidos. Não faz capa de revista, mas faria as minhas delícias. Usa o cabelo algo comprido, o suficiente para o ter sempre despenteado, como se tivesse acabado de acordar. De vez em quando usa um boné e umas t-shirts com frases engraçadas, daquelas que dá vontade de rasgar, só para lhe olhar para o peito. E lambê-lo. Falamo-nos como conhecidos porque tomamos café muitas vezes no mesmo spot. A minha vontade era convidá-lo para ouvir a minha colecção de cd's, começar a tirar a roupa, e, enquanto lhe mostrava a minha lingerie, sussurrar-lhe: "I don't think we should...!"

    Os meus amigos (alguns...)

    • Tenho um amigo cientista. Um intelectual que franze o sobrolho quando fala. É o private joker. Diz coisas inacessíveis à maior parte dos mortais e vejo-me, não poucas vezes, obrigada a pedir-lhe que traduza para linguagem leiga a ideia que está a tentar transmitir-me. É lindo.
    • Tenho um amigo que é amigo de toda a gente. Faz partidas e é gozão, tem sempre opiniões sérias e tolas sobre tudo e todos. É genial. Inacessível, mas genial. É lindo.
    • Tenho um amigo palhaço. Adoro aquele palhaço. Quando o clima ainda está frio é ele que, bem ou mal, quebra o gelo. Ele sabe dizer as maiores ordinarices e fazê-las soar banais. É lindo.
    • Tenho um amigo-amigo. Daqueles a quem se pode ligar às 4 da manhã, quando nos metemos numa alhada. Ele acolhe-me nos braços, dá-me um beijo na testa e acaricia-me o cabelo até eu adormecer. É lindo.
    • Tenho um amigo que é o das saídas. É o amigo low cost. Sempre que estou com ele fazemos as melhores saídas, as melhores noites. E podemos passar muitas semanas sem nos encontrarmos. Quando nos vemos a festa continua. É lindo.
    • Tenho um amigo esperto. Inteligente. Sábio e vaidoso da sua sapiência. É culto, um pouco apanhado do clima, e fofo. Exibicionista. Isso torna-o lindo. É lindo.
    • Tenho um amigo religioso. Admiro a fé dele e a capacidade que tem de se sentir bem, mesmo sendo ostracizado. O meu amigo é reprimido (segundo os meus parâmetros), mas revela-se extraordinariamente feliz, sorridente e completo. É lindo.
    • Tenho um amigo que é um coração. Ele abre os braços e está a abrir o coração. No abraço dele durmo descansada, fico descansada, sorrio durante o sono. É o amigo pacifier. É lindo.

    25 de agosto de 2008

    Terei sonhado...?

    Estive fora. Lá, fiz uma compridíssima viagem de comboio e tive uma experiência... de Marte!
    Passei quase a totalidade da tarde a ler um livro. O conteúdo erótico deixou-me um pouco desvairada, devo confessar. Ao cair da noite, ficou escuro na carruagem e só quem quisesse tinha luz directa, para poder ler ou trabalhar no pc. Como havia poucos passageiros nesta carruagem estava bastante escuro. Ao olhar em redor vi apenas dois passageiros: um homem umas filas atrás de mim, quase no último banco, do lado da janela, e uma senhora na parte da frente da carruagem.
    Olhei para o homem. Era lindo. Decerto ele era autóctone e eu não falo a língua local. Mesmo assim, movida pelo desejo levantei-me e, segurando-me às costas dos assentos fui andando pelo corredor até à fila onde ele se encontrava e sentei-me do lado oposto, junto à janela. Ele não ligou muito mas aos poucos foi ficando intrigado com a minha mudança de lugar, visto faltar pouco mais de vinte minutos para a última estação e não havia razão aparente para eu ter mudado de lugar. Comecei a vê-lo espiar-me pelo canto do olho e decidi ir puxando, aos poucos, o vestido para cima. O homem quis de olhar-me de frente para ter a certeza do que estava a ver e decidiu menear o cabelo farto, de maneira a mexer a cabeça o suficiente e no ângulo certo para ver as minhas coxas. Quando o fez, voltou a olhar-me, desta vez sem falsos pretextos, e sorriu puxando para cima apenas um canto da boca. Nesta altura a minha mão já estava a subir na perna e meti-a dentro das cuecas. Ele levantou-se, apoiando-se no banco da frente, como que querendo aproximar-se. Compreendeu a linguagem universal quando abanei o indicador da mão livre em forma de "não" e voltou a recostar-se. Meteu também as mãos nas calças e ficámos assim, a saborear a companhia visual um do outro. De quando em quando ele fechava os olhos e inclinava a cabeça para trás, de prazer. Depois olhava de novo para mim e acelerava a marcha da mão.

    Vim-me num instante, com este cenário à minha frente. Gemi baixinho para não provocar alarido, mas alto o suficiente para ele ouvir. Fiquei a apreciar o orgasmo e depois estive a vê-lo, logo de seguida, a fazer o mesmo. Foi muito bom. Repousei um minuto e levantei-me. Ao fazê-lo, ele chegou-se para a zona da coxia onde eu passaria e estendeu-me a mão, como fazem os cavalheiros num cumprimento a uma dama. O homem puxou a minha mão com gentileza para a sua cara e, em vez de ma beijar, cheirou-ma demoradamente.

    Estremeci no apelo a um novo orgasmo e senti vontade de lhe falar de qualquer maneira, de ouvir a voz dele, de o ter comigo na cama, de me sentar nele, de me sentir nele. Sei que isto são coisas de mulher, romanticismos tontos. Deve ter sido isso que me fez puxar a mão devagar e voltar para o meu lugar.

    Não voltei a olhar para ele até ao fim da viagem e ele também não se aproximou. Apesar de faltarem poucos minutos para o nosso destino ainda adormeci, efeito do orgasmo. Quando saí da carruagem, já com o trolley pronto, demorei-me um pouco, fingindo que ajeitava o casaco e o vestido. Olhei na direcção dele e sorri com um dos cantos da boca.

    Ele não era tão lindo como parecera no escuro do comboio. E daí, talvez eu também não fosse, afinal, tão apetecível como há pouco. Ele sorriu-me de volta, virámos costas e seguimos caminho. Meti-me no carro e fui a pensar nele e a rir-me sozinha com esta travessuram inédita para mim. Cheirei a mão mais de uma vez para ter a certeza que não tinha sonhado durante a viagem, naquele comboio escuro.

    Nessa noite dormi muito bem.

    4 de agosto de 2008

    psicologia inversa

    Odeio quando alguém tenta, descaradamente, usar a chamada "psicologia inversa" comigo. Não, obrigada!! Quem se acha mais espertalhão usa, conscientemente, este tipo de artimanha para conseguir os seus objectivos. Felizmente sou cada vez mais impermeável a esse tipo de maquiavelices e desmascaro-as na hora ou reduzo-as à sua insignificância.
    Não há pachorra para os pseudo-chicos-espertos, os pequenos e irritantes imperadores da psicologia, os geniozinhos de mau génio, umbigueiros, ensimesmados, egoístas!! Apre, que são burros! Irra, que são chatos!!